Eu bem sei que escrevo demais.
E que falo demais.
E que me expresso muito.
E que, sobretudo neste espaço, pareço abrir a alma até ficar na mais perfeita nudez.
Numa pornografia/voyeurismo interior plenos.
Mas a verdade é que a sensação de dentro é a de que por muito que eu escreva como estou fantasticamente contente por uma viagem, entusiasmada con uma actividade, excitada numa relação ou destroçada por uma outra, dentro há sempre um âmago quente que é mais profundo que as palavras.
Sinto que podia falar do meu prazer do café da manhã, do estado da minha pele, do meu êxtase sexual, e do meu enamoramento pelo mais fantástico homem com tantos pormenores quantas as palavras que conheço. E fazê-lo aqui. Assim.
Porque essas palavras serão iguais às sentidas por quase toda a gente. Nao invento sentimentos, sensações. E o que uso para descrever as minhas são os recursos comuns a todos. Como na pornografia/voyeurimos, o sexo é o que está acessível a todos.
O que quero dizer é que, por maior exposição aparente, dentro fica sempre um lugar especial. Ao qual as palavras não chegam. Ao qual as conversas não chegam.
Ficam material genuíno, sentido, quentinho, vivido.
E que a partilha das palavras é só isso: partilha de vivências por palavras.
Friday, March 5, 2010
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