De partida. De chegada.
Depois de 10 intensos días, instalo-me diante do mostrador da Swissair, preparada para voar.
Foram 10 dias de emoções intensamente fortes, de aventuras, fotografias, energia, descoberta, interesses, perspectivas, conhecimento.
Fascinante o que cabe em 10 dias. Fascinante o que cabe numa vida.
Agora estou sentada comodamente. Ao meu lado está a mochila com livros, chocolates, medicamentos para a asma e dinheiro que sobrou. E um notebook do Metropolitan que não resisti a comprar. E uma vez mais, nestas 18 horas que se avizinham, não preciso de nada mais. Só eu, a pele e o conteúdo da mochila.
Ser feliz deve ser isto, de se contentar com pouco e de poder sentir-se muito.
Pouso os olhos por aí e deixo fluir o pensamento. Vejo de novo a casa do Raj, no meio de Wall St. que me acolheu e onde era tão divertido chegar e sair cada dia. Vejo o cafezinho acolhedor, na esquina da casa, ali, no meio do centro nevrálgico dos negócios mundiais, onde o sr. já sabia que queria um café com Hazelnuts, tão bom. E a igreja de Trinity, ao fundo da rua, onde me meti por curiosidade no Domingo pré Páscoa e onde me sentaram num banquinho, onde fiquei até ter oportunidade de me escapar de tanto rito com que não me identifico.
Penso nos passeios sozinha e acompanhada. Penso nos tantos companheiros de viagem, conversa e leitura de mapas destes dias.
No último jantar com o Raj, no restaurante do Afgão, e nos mil cafés com o Jos, parceiro de adição à cafeína e descobertas.
Volto a Filadelfia e fico quase encolhidinha, assim, a pensar no tanto que foi. Nos contactos que já recebi depois da partida, dos mimos em forma de palavra que intercambiamos, nas fotografias que partilhamos, todos à distância. E que gente mais linda, aquela que me ficou dentro dos poros! Que conhecimento partilharam, que gestos tiveram, que ternura se semeou…
Penso de novo no tanto que corri para apanhar o Bus para Phili. E em praguejar por entre as ruas de NY por onde passámos. Do amoroso Cohetz de boa onda, a ver o lado positivo mesmo quando me caiaram metade das amêndoas torradas ao chão e fiquei com ar de desconsolo.
E vêm-me coisas pequenas. Subtis. Como a textura áspera dos papéis higiénicos em todo o lado. Os cartazes em todos os WC’s a avisarem os empregados que têm que lavar as mãos antes de voltarem ao trabalho. Do exercício do cálculo das gorjetas e dos Delis cheios de fruta e sumos naturais para vender. Daqueles iogurtes com cereais e fruta, dos Hot Dogs de rua e do leite “from real cows” .
Volto ao primeiro autocarro que apanhei do aeroporto, onde a senhora amável me deu para a mão 2,25 dólares, para eu não ficar desprevenida numa próxima viagem de bus. E do que vi naquele dia nas ruas de Brooklin por onde passei.
Rio-me ainda com a minha cara de “não tenho nem ideia do que dizes” quando me falavam no americano fechado e rápido.
Boa aventura. O resto será para ir mastigando.
Tuesday, March 30, 2010
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2 comments:
e se tivesses entrado numa sinagoga ou numa mesquita, terias saído ?
Logicamente que não! Teria era ficado mais tempo!
(Se não me tivessem expulsado).
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