Sunday, September 30, 2007

Está tudo pendurado no céu**...


O que apareceu escrito no céu....

Será que o Sr. Deus resolveu delatar os meus pensamentos??!
(Ou será isto fruto do festival aéreo que decorreu esta manhã?....)
**O título do blog tem direitos de autor. Nome de uma exposição colectiva de pintores, que decorreu no Porto há mais de 10 anos e que me ficou.... Verdade, Xai? :)

Friday, September 28, 2007

Amigos, amigos... Ou como não sentir tanto a distância

Às vezes quase que me esqueço que não vivo no mesmo país que vivia com as minhas pessoas.
Os mails de partilha, os mimos por correio ou um chat de duas horas em que se ri em forma de hihihihih sabem bem e acalmam saudades.
Porque por palavras sempre escritas recebi sugestões, dicas, elogios, ideias, apoio, críticas, marteladas na cabeça, conselhos, piadas, bocas, provocações, mas sempre uma sensação de estar-lá em tudo isso.
Aos Amigos que cuidam, se interessam, se mostram presentes de diferentes maneiras, devo um OBRIGADO.
Porque me fazem sentir viva nas pequenas coisas. Porque estão vivos nas minhas coisas todas.

Monday, September 24, 2007

Ser Feliz


"Ser feliz é maravilhoso. É como ter um balão dentro de ti e o balão está cheio de ar quente, tu ficas mais leve e quase a voar." (...) Leif Kristiansson in Ser Feliz, Editorial Presença, Lisboa, 1997. [tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen]


Quando eu era pequenina-bebé a minha mãe ofereceu-me este livro. Eu li-o muitas vezes, primeiro só imagens e depois a história básica, que explica de maneira pueril mas verdadeira o que é ser feliz.

Desde então, para mim, esta passou a ser a melhor descrição para ser feliz! A do balão de ar quente que está dentro e sobe, sobe, sobe...
O Sr. com nome esquisito, este que escreveu o livrinho, sabia o que dizia! Sabia sim senhora!...

Friday, September 21, 2007

O tempo voa... E eu com ele.

Na contabilidade do tempo fui-me perdendo... E ao perder-me dou-me conta do quanto estou cá.
Porque já não estou só há ... (contagem plos dedos....) ... quase 10 meses. Agora estou cá. Ponto. até quando não sei, mas é cá que estou.
Viver em BCN deixou de ser a aventura. Passou a ser a vida.
E dou por isso ao descrever, em conversa de Amigas, um dos meus dias cá e ao ouir do outro lado:"Voltaste aos dias loucos de fascinação e agito iniciais!".
Não, não voltei aos dias assim. Agora esses são os dia-a-dias....
Que sabem bem quando são bons, que sabem mal quando são maus. Mas que já não têm o sabor do novo, aquele sabor a menta que pica na boca e arde e se quer mais e mais e mais...
Agora já não me sinto a Julia Roberts, quando no mesmo dia tropeço em caca de cão, vou a uma entrevista num sítio onde me apeteça criar uma actividade, termino com uma caña na mão numa praça onde já faz fresco e troco duas palavras com alguém de outro país que vive ao lado enquanto pedalo na Bicing... Agora isso é a vida, já não a aventura.

E nesta instalação não acomodada sinto-me feliz. Não o feliz inicial, do novo, mas o feliz dos casamentos que se levam há muito tempo, em que a delícia da coisa boa faz sentido a cada dia e nos deixa um sorriso nos lábios por estar lá.
Encontrei um nicho nesta cidade, neste país, nesta vivência. Já o sinto como meu e não consigo imaginar outro no qual encaixe tão bem neste momento.

Nestes tempos de indefinição sinto-me no meio de folhas de Outono, deste que começa hoje, balançando. Mas suavemente e aceitando cada modulação...
De uma decisão de não trabalho em algo que não a área que quero, passei a estar à frente da organização de duas exposições em Portugal, na empresa de antes. E a trabalhar nisso cada dia para que tudo saia bem. E a gostar!
No tempo em que passo em casa preparo as actividades que quero que nasçam e cresçam, pela minha mão e da minha maior dedicação e prazer... Começo a plantar na cidade pedaços de mim em forma de cartazes a anunciar o 1º Taller de 3 meses numa Cooperativa cultural engraçadissima.
Falo em diferentes locais, com diferentes pessoas, com diferentes ambientes e crio propostas e propostas e propostas... E creio profundamente que as coisas pela minha mão hão-de sair. O corpo já está calejado de recusas e impossilidades, mas também sabe que quando algo sai, sai a valer! E continuo a apostar nisso!

E no meio de tudo isto, entre o ficar e o mudar de casa, com histórias mirabolantes à mistura de gente que faz planos e se vai embora pra países mais frios, continuo a voltar cada dia à Calle Manigua e a viver no meu quarto de armários brancos e cortinas amarelas.... E a entender que pelos vistos terei que continuar por estas paredes mais uns tempos..... (O slogan "No teras casa en tu puta vida" faz taaaaaaaaaaaaaaanto sentido para mim! Mas tanto!.....)
Mas deve ser o cosmos a ensinar-me, pela enésima vez e sem entender que eu sou analfabeta cosmical, a esperar e ter paciência.
Vá, e eu vou-a tendo... Ou ganhando!....

Pelo meio ainda me apertam aparelhos e me mudam arames numa boca que continua pequena para tanta tortura e que só solta injúrias nos dias em que vai trabalhar inchada e dorida por todo o lado... (Continuo queixicas, detesto dores físicas que me impedem de andar tranquila pela rua e de falar pelos cotovelos!)

E no meio de tudo isto, vou saboreando esta vida-Cava: uma vida frisante, forte a cada trago, mas tranquila o suficiente para me deixar conduzir(-me) por caminhos pensados e desejados...

É Setembro e Outono. A vida (re)defini-se e eu vivo-a de olhos grandes (e boca inchada!:)

Thursday, September 13, 2007

Experiências a preto e branco...



Setembro tem sido um mês engraçado, uns mês de experiências... E entre o preto e branco ficam os registos de duas experiências de Feiras! Uma, a representar uma Associação, séria, profissional e responsável, em Madrid. A outra a expôr os quadros de um pintor amigo durante um dia de sol, numa feira de pintura ao ar livre, em Barcelona...
E no meio de tudo isto, entre a preparação do novo ano e de novos projectos, instalo-me nestas duas possibilidades. Voltarei esporadicamente ao ambiente animado dos pintores e começo hoje um período de trabalho na antiga Associação, por convite, com um horário flexível e regalias engraçadas...
Entre mais do mesmo e o mesmo a querer mais, ocupo o tempo e experimento, experimento, experimento... Acima de tudo, começo a preparar corpo e cabeça para a acção do ano que se adivinha cheio...
A branco e negro se constróem os dias.... E nestes dias em que o escuro dá lugar ao claro os ânimos voltam e o sorriso afasta monstros invisíveis....

Friday, September 7, 2007

Dias de cara de Bambi...

Há dias de cara de Bambi.
Dias em que não se está mal. Não se está com problemas. Não se está com complicações...
Só se tem é uma cara de Bambi que dá dó....
Há dias em que pela solidão, talvez pelo curso normal da vida (sim, que mesmo os optimistas exagerados como eu admitem que da vida também fazem parte os dias canídeos!), pelas hormonas ou pela conjugação cósmica das estrelas os ânimos esmorecem.
Instala-se um certo je ne sais quoi e fica ali.
Até pode ser da típica descompressão pós-férias, mas a verdade é que ao bem-estar advindo da chegada ao ninho, se sucede o medo dos monstros debaixo da cama....
Uma daquelas coisas que devem sentir os deslocados, de vez em quando... Um medo que um monstro que nem fala a nossa língua (no meu caso deve falar praí catalão e eu tenho mais medo, porque ainda não entendo tudo o que quer dizer!:) saia debaixo da cama, no meio do escuro e meta um susto!
Um medo que as mãos que nos afagam a cabeça não se consigam esticar até ao país estrangeiro e não cheguem até nós...
Um medo que um monstro chamado solidão nos enrosque com tentáculos e não nos deixe mostrar a boa cara de sempre...

Este é um post pateta. Num dia pateta. Com sentimento pateta.
É em si mesmo um post com prazo de validade que amanhã ou depois perde a pertinência, com toda a certeza...
Mas é um post necessário à muralha de massa de papel que sou: dura por fora e mole por dentro em certos sítios... :)
Para que se me conheça o lado humano e débil. Para assuir perante mim que também quebro. Para dizer ao mundo que afinal suporto que me deêm mimo e que às vezes preciso dele, vá....

E pra dizer aos monstros de debaixo da cama que se vão embora porque me assustam e não há necessidade. Não há não senhora, que eu 'tou sozinha e não tenho a mãe aqui pra me agarrar...
Sai, monstro, sai! :)