Wednesday, October 31, 2007

QUERO UMA CASA!!!!!

Este é um post de protesto!
De grito!
De eu com mau génio e prestes a rebentar a chorar em cima da primeira pessoa que ler o que escrevo!

Vivo em Barcelona há 10 meses e há 9 que estou nesta casa-de-6-(loucos).
Somos gente de nacionalidades diferentes a partilhar um espaço que se tenta não despenque ao mínimo espiro e a quem ninguém importa muito.
Vivo há 9 meses a querer mudar-me daqui (aproximadamente 1 dia depois de me ter mudado:).
Vivo há 9 meses com histórias para contar sobre procura de casa. Desde um projecto a dois que termina; a um projecto entre amigos de outro país que se resolvem pelo smog e se vão 2 dias depois de chegarem; a um projecto entre gente desconhecida que passa a conhecer-se por partilhar a mesma senda mas a quem os doentes de hospital e os exames tiram a disponibilidade para se mover; a um projecto com um amigo que se acomodou;.... E sucedem-se as histórias intermináveis, sem que nada pareça poder fazê-lo parar...
Vou ver casas que não correspondem às fotografias anunciadas; ligo a donos de casas partilhadas já por 7 (SETE!!) pessoas; até donas de casa que afinal preferem o quarto que tinham colocado no anúncio para si mesmas.... Há de tudo! Tudo!

Mas estou farta! Estou farta e muito cansada! Já gastei um milhão em chamadas para casas com as quais acabo a revirar os olhos no final. Já gastei sapatos e pernas a calcorrear partes da cidade que nem sabia que existiam, de cabeça ao alto à procura do nº 345 ou do cruzamento de 2 ruas...
Já gastei o sorriso 44 que dura desde que entro no piso e me cruzo com o visitante nº 65 até que saio e me cruzo com o 67.
Já gastei a energia de tentar uma e outra vez. De fazer planos. De me imaginar neste ou naquele sítio.
Já me saem lágrimas quando chego à porta de um piso no qual gostava mesmo de ficar. E antes de lá chegar. E depois....:)
Já sonho com mundaça de casa.

Começo a estar demasiado cansada... E farta! Quando o que quero é uma casa (que possa pagar e esteja "normal")!!!!!!!!!!!!!
Dizem-me que espere, que o "destino" me vai trazer a coisa certa!... Mas a partir de agora, ou o destino deixa de os estar a coçar, ou eu vou-lhe à cara! Juro que vou! E de que é que está à espera, essa tal entidade cósmica pra me vir dar uma mãozinha? Preciso de pôr mais cara de coitada? Preciso de me voltar a queixar 56887 vezes? Onde é que está o formulário on-line para me contactar com ele? A quem tenho que subornar pra ele aparecer? Raismapartam!

Quero uma casa. Pode ser?

Friday, October 19, 2007

O sopro do coração...

Os dias cá têm mais de 24 horas. Está provado cientificamente pelo meu sistema pessoal:)
Se na maior parte deles isso é uma vantagem, noutros são minutos a mais para pensar em tudo. E há dias em que pensar me deixa mais agitada, mais inquieta... A pensar e planear futuros e a tratar presentes de tal forma que o cérebro quase entra em incandescência.... E, ok, pode ser bonito o efeito visual do cérebro estilo fogo-de-artifício, mas por dentro cansa. E às vezes desgasta.
E é nesses momentos que entram os 3 vectores que me ajudam a entrar de novo no bip-bip-bip mais gradual e compassado do bater do coração... Um é o sono (nada como um sono reconfortate para dar energia e sossegar o fervilhar). E os outros dois são pessoas.
As pessoas "de lá", sobre quem já deixei expresso o valor e importância que têm, mas que a cada dia me abrem o coração, me completam e me dão pedaços de luz... As pessoas geniais -Amigos - que me fazem sentir feliz e que me arrancam da melancolia com um sopro de ar fresco.
Estes dias, por exemplo, sinto que se eu fosse um cartoon teria uma cara muito grande, com um sorriso tipo boneco de Manga, enorme, e com aquelas lagrimitas que lhes saem pelos lados! De alegria, neste caso. Por mais uma constatação de proximidade à distância com gente querida. Por sentir que "não há longe nem distância" nestas coisas de gente que nos quer e a quem queremos. E que o que se constrói fica lá!!!!! E "as minhas pessoas" estão lá, todas.
E depois há as pessoas de cá, que são as que começam a fazer parte da minha vida catalã de forma mais especial, de forma mais intensa, e que me fazem sentir mais pertencida. Com as que tomo café, mas também com as que conheço novos sítios, com quem faço planos para o fim de semana ou a quem apareço de surpresa... Com quem sou a Edite no dia a dia presencial... E nessas pessoas redescubro-me e encontro partes novas. Construo pouco a pouco, pé ante pé, pequenas coisas coloridas com forma de Gaudí, com cheiro a Mediterrâneo, com pores do sol na montanha...
O sopro do coração é o que nos move no dia a dia. E no fervilhar do meu coração e do meu cérebro, os três vectores acompanham e ajudam. Acalmam inquietudes e reforçam solos. Reforçam o que sou.... E melhoram-me no que quero ser.
O sono e as (minhas) Gentes recompõem-me!

Wednesday, October 17, 2007

Imagens "do outro lado"


Quando volto trago coisas. Trago Nestum Mel, gente e
paisagens... As 3 caixas de Nestum vêm na mala. A gente vem no coração. E este pedaço de coisa veio-me nos olhos...

Tuesday, October 16, 2007

Raios de sol entre Portugal e Espanha


Entre o ir e vir há sempre muito que fica.
Confesso que me custa sair de cá, de Barcelona, por esta semana de Portugal.
Mesmo sabendo que vou encontrar as minhas pessoas tão quentes e sentir o cheiro a maresia de um oceano vivo e revolto... Custa. Porque o corpo está cá. E o resto vai ficando um pouco, também, cada dia...
E é a sensação de se estar a acostumar à cama quentinha, aquela que começa a ganhar as nossas formas, e ter de sair para ir andar de bicicleta! E eu adoro andar de bicicleta!!!!!! Mas a verdade é que quando se está a ganhar o molde da cama quentinha, a vontade é ficar a pensar ou sonhar com o dito passeio, mais do que fazê-lo...
E achei que esta imagem em que me apanharam numa tarde de café me põe por pixeis o que eu ponho por letras...
Eu sei que o sol quente, o mar forte, o calor, me estão nas costas. Estão sempre. Não esqueço, não desmereço. Mas os olhos estão a querer poisar longe...
Quero pousar mais aqui.... Quero não ter de fazer uma mala pequena com metade da casa cada mês...
Quero ter saudades de Portugal, das minhas pessoas, dos meus ambientes. Quero que sejam as saudades as que me fazem voar, e não o trabalho ou as aventuras maradas em que me meto volta meia volta as que me ditam o destino do avião.
Gosto de cá estar. Fiz o ninho e enrolo-me nele, nem que seja às vezes para chorar... Mas é o que eu fiz, o melhor que soube, e que vou construindo cada dia que passo aqui. É o ritmo de vida que é diferente, é a exigência que me é posta que me parece agora mais adequada, é o estímulo exterior mais disponível e por sua vez potenciador do que está dentro... Que cresce, cresce...
Gosto de viver em Barcelona. Já custa sair tanto daqui....

Thursday, October 4, 2007

No cucuruto de BCN...

Às vezes a cidade grande absorve-nos. Ou será a vida?
A verdade é que há momentos de necessidade de escapar. E para melhor escapar não procuro fora, mas sim mais dentro. E dentro há sítios como os que fui hoje... Ao cucuruto de BCN...

No fim do trabalho fazia sol.
Havia no ar cheiro a movimento. E havia à minha frente a agenda de BCN. E tornou-se o movimento no ar e a agenda no móbil perfeito. Arranquei para Montjuic, de metro e funicular, até entrar na Fundação Miró, na exposição "Kawaii!". Boa onda artística. E em seguida, veio o momento da boa onda natural.
O que se tem quando se vem mergulhado de uma boa onda externa e se fica a olhar o (in)finito, por entre folhas de árvores, num miradouro com banquinhos de madeira e vento...
Barcelona à vista. As sensações também... E o pensamento que voa por ali, como um papagaio de papel sem fio... E o ar que se respira é melhor, está ainda menos respirado. Tem mais sopro. Tem mais ar.
E o relaxe invade devagarinho... Chega pouco a pouco a sensação de tranquilidade, de acalmia...
As obrigações ficam na fila, como os documentos a imprimir na impressora. E o coração bate noutro tom que não o do mudar das luzes dos semáforos.
Sem avisar, a nuvem mais escuro passa a mais espessa. E o vento passa a impôr a presença. E as gotas pequenas, de chuva miudínha, crescem mais depressa dos que os filhos dos amigos.
E eu corro e já não adianta... O regresso é molhado. Mas quente por dentro...
No cucuruto de BCN, num deles e nem sequer o mais alto, o ar entra de outra maneira...