Hoje vi esta frase escrita de uma pessoa muito delicada, que trabalhava como secretária num dos centros onde eu dava uma actividade, há mais de 4 anos atrás.
Às vezes ficávamos um pouco a conversar.
E deu-me um não-sei-quê ler isso.
Como se me surpreendesse o facto de que alguém tivesse realmente saudades de estar comigo.
Como se me surpreendesse o facto de que alguém ainda se lembrasse de como era e de que, agora, ainda tivesse vontade de o repetir.
Como se o ritmo actual nos fizesse viver numa aceleração cósmica que não permite laços que ficam amarrados, bem amarrados.
E penso se haverá seres que, antes de ir dormir pensem que têm saudades de estar comigo. Ou que a meio da condução, antes de um banho quente ou depois de um dia longo pensem que já têm saudades de estar comigo.
Sinto como se a minha presença fosse um ventinho fresquinho, que é agradável mas não imprescindível para a colheita.
Eu tenho saudades. Às vezes tenho vontade de certas presenças. Às vezes páro a pensa-las. Mas também sei que logo a carapaça de tartaruga relembra o peso do caminho. E não sei que fazer a isso das saudades, por isso meto-as debaixo da carapaça e sigo.
Se calhar um dia a carapaça sai. Como as crostas das feridas que cicatrizam.
"Já tenho saudades de estar contigo."
Que frase mais doce...
Friday, March 5, 2010
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