Hoje falei de ti à tua Pequenina.
Falávamos das nossas aventuras a três, nas viagens e peripécias. Faltou falar da tua bolonhesa, que ela adorava.
Sente-te a falta.
Eu também te sinto a falta.
Sinto a falta da tua loucura impetuosa que enchia as esplanadas de café com vozes rompantes.
Do teu mundo-casa com cartazes de peças de teatro estreadas e fotos de mundo coladas.
Da música. Sinto saudades da música que partilhávamos nas longas viagens de carro, entre um cigarro e outro dos teus.
Das tuas meias de lã para os ensaios.
Das nossas conversas "pouco próprias".
Dos mundos em que andei contigo.
Creio que é disso que mais sinto falta: do mundo em que andei contigo.
Agora olho para trás. E para a frente. E estou bem, bem saberás que sim. Mas não estás cá.
E desde que te foste que me ficou a faltar essa janela de mundo que nunca mais soube abrir.
Foste demasiado cedo, bem sabes.
E mesmo que já não estejas aqui há 3,5 anos, ainda não acomodei a ideia de ouvir falar de ti sem que irrompas a qualquer momento.
Vi-te na Bélgica, na mesa de um bar, sentado à janela, de barbas maiores e com muitos anos. Vi-te passear na Póvoa, tranquilamente ao fim da tarde. Vi-te até a recitar poesia, disfarçado de poeta de gaveta.
Mas nunca mais ouvi a tua música enquanto íamos de viagem, nem nunca mais vieste trazer-me incensos, livros e coisas de artesanato feitas pela malta tua amiga.
"O amor não tem céu nem terra."
Hoje acabei a conversa com a tua pequena com esta frase. E acredito nela. Mas eu estou na terra e tu fazes-me falta aqui, T.
Saturday, January 31, 2009
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