Há dias que andava a pensar nisto.
Porque é que há mais de 2 anos que mantenho este espaço aberto?
Porque é que me mantenho fiel a esta actividade de exposição pública sobre algo tão privado como A MINHA VIDA!?
Pensava no motor das minhas vindas ao Blog da Edite@BCN.
Sei que o espaço nasceu para partilha. De mim com quem tinha deixado no que pensei que eram as origens. Para narrar aventuras, as "coisas novas", as experiências diferentes.
Também para resumir o avançar da história a quem não tinha oportunidade de chegar tantas vezes.
Inerente, claro, o prazer pela escrita, esse mecanismo catártico-expositivo que me preenche o espaço debaixo das gemas dos dedos.
Assim que ao princípio o fenómeno explicava-se por si mesmo. Era uma espécie de diário de uma expedição ao Quénia, em que os elefantes eram o metro que eu apanhava cada dia, as zebras os motoqueiros que inundam a cidade e os leões as novas personagens que me inundavam a vida. Eu era a viajante de calções caqui e camisinha branca, a tirar fotos maravilhada com tudo e por tudo.
Entretanto o Quénia passou a ser a minha morada. Os elefantes tornaram-se metros e as motas por todo o lado, o quotidiano.
E então começou o tempo a passar e as aventuras eram coisas banais. E as narrações passaram de aventuras incríveis ao incrível da aventura de estar vivo e andar por aí.
Vim chorar desgostos de amor, perdas de amigos, cansaços. Vim contar viagens, trabalho, conquistas e incursões pelo dia-a-dia.
De repente toda eu estou aqui. Nem sempre da forma mais aberta, óbvia, clara. Mas sempre de uma forma verdadeira, íntima, pessoal.
E estes dia ia pensando no porquê de manter a exposição. E de uma forma ou de outra, vou dar com a resposta, mais bem escrita, amanhada e pensada, no Orwell, ao descrever os 4 motivos para escrever. Um deles é, segundo o senhor George: " Puro egoísmo. Desejo de parecermos espertos, de se falar de nós, de sermos recordados depois de mortos, de nos vingarmos de adultos que nos achincalharam, na infância, etc., etc. É uma treta fingir que esta não é uma motivação, e das fortes. Os escritores partilham esta característica com cientistas, artistas, políticos, advogados, soldados, homens de negócios de sucesso — em suma, com toda a nata da Humanidade. Na sua grande maioria, os seres humanos não são intensamente egoístas. Depois dos trinta anos, aproximadamente, abandonam a ambição pessoal — em muitos casos, de facto, quase abandonam o sentido de serem realmente indivíduos — e vivem principalmente para os outros, ou ficam pura e simplesmente sufocados pelo trabalho monótono."
Nem me considero Escritora (só escrevo), nem tenho adultos maquiavélicos de quem vingar má infância, mas que a coisa andará pelas primeiras partes do G., andará!
Maldito ego. Venham depressa os 30 anos. Até lá, o espaço segue aberto, que há muito de que falar.
Tuesday, January 20, 2009
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2 comments:
eu gostava era que fosses para a alemanha, ou o caneco, para ver como é que ficava a tua maneira de te exprimires
aproveita e lê o texto que te enviei "por que escrevo" de George Orwell. just on time...
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