Monday, September 6, 2010

O fim. O recomeço.

A partir de hoje mudo-me de casa de palavras e imagens.

Chega, pois, de Edite@Barcelona.
Agora foco-me nas visões de dentro. Inside Sights. In-Sights.
Continuo a partilhar. Sem isso, a vida tem menos graça.

A quem queira seguir viagem, esta é a direcção: http://insidesights.wordpress.com/

Até já.

The end.

Tuesday, August 10, 2010

Crónica de uma morte anunciada

Há mais de um mês que aqui não pouso.
Pondero sobre o sentido de vir cá escrever de forma aberta. E pela primeira vez tenho um misto de vergonha/pudor e sensação de "e para quê?".
3 anos e meio depois começo a sentir este espaço menos espaço, entre o exibicionismo que contestava e o desconforto de já não lhe retirar o prazer de antes.

Continua a ser importante ter um espaço onde albergar as passagens pessoais que se reforçaram quando vim para Barcelona. Esta abertura a um mundo maior, mais longe dos constrangimentos (auto-)impostos.
A verdade é que desde que para cá vim viver a vida passou a ser sentida com mais sumo, e talvez daí a necessidade e vontade de partilhar e de me ir sinalizando no mapa, para mim própria.
Agora em Paris, agora na Grécia, agora na Suiça, agora na Itália...
Agora em tanto lugar, agora dentro de mim.

Mas chegado a este impasse, começo a pensar em novas soluções para o encaixe partilhado desta viagem pessoal.
Está visto que não vim ter uma aventura em Barcelona. Vivo cá há mais tempo do que aquele que partilhei a vida a dois. Estou cá mais aferrada do que o estive nos mais de 26 anos que vivi em Portugal. Sinto-me internamente melhor do que quando vivo na Lusolândia. Sem qualquer desmerecimento por esse ou outro lugar. Simplesmente com a consciência dessa noção.

Por isso, este espaço blog parece sermais do que a Edite em Barcelona.
É uma Edite no mundo, no seu mundo.
Seja aqui, onde vivo agora, com as minhas pessoas todas igualmente dentro, seja no lugar seguinte onde decida instalar-me, neste ou noutro continente, seja nos países que visito e nas experiências que sinto dentro.

A Edite não é de Barcelona, não está em Barcelona. A Edite é de onde está e vai estando em tantos lugares, e tem desejo de estar em tantos outros, que me parece redutor por-me num caixilho geográfico-físico.

A Edite improvisa e vive. Agora em Espanha, antes em Portugal, no próximo ano nos EUA?...
Mas a aventura segue. A de dentro.
Por isso, parece-me que este espaço, tal qual, terá que ser redifinido, revisto, repensado.
E nova solução surgirá.

Entretanto, aqui fica a crónica de uma morte anunciada neste blog de vida desde há 3,5 anos.
E o abraço a quem o segue.

Thursday, July 8, 2010

Dance, dance, dance

E agora tenho feito isto.

www.pumbainprocess.blogspot.com

E tem sido absolutamente delicioso!!!!

Algumas paragens de por aí


Há umas semanas esqueci tudo e fui apanhar cerejas.
Durante 4 dias, tudo o que importou foi lavr rapidamente a louça de várias pessoas ao almoço e ao jantar, preparar saladas frescas com coisas recém-colhidas e calibrar o tamanho das cerejas.
Manchei os jeans de vermelhinho e deixei t-shirts em estados caótico, mas ao fim do dia, quando o corpo não aguentava mais e caía na cama, estava mais viva e limpa que nunca.
Entre as cerejas e as ameixas apanhadas em grandes cestos e ordenadas em grandes caixas, houve tempo para uma caminhada começada bem cedinho, por lugares assim fabulosos, com paisagens do Sr. dos Anéis...
4 dias de saída de city woman e entrada em menina do campo, sem cortados nem poluição no nariz.

Saturday, June 19, 2010

O meu Tango e a vida

O Tango tem para mim uma lição implícita. Vai muito além das análises que façamos nas aulas. Nas aulas importam os passos e o contacto que se estabelece com quem se dança.
Mas quando saio da Carrer Mare de Déu dels Desamparats, não me são só os pés que me vão mais sensíveis. O mundo tem tons diferentes, durante o caminho que faço até casa.
Porque no Tango aprendo a pensar como mulher e como homem, sem que me estejam a ensinar mais do que os passos que se espera de um e outro.

Nas aulas, esporadicamente faltam pessoas para os pares. Então os professores invertem-nos os papeis. E é assim que às vezes passo a hora e meia a fazer de homem, empoleirada nas nada firmes sandálias de tacão agulha.

Adoro quando no Tango os passos saem bem e posso fazer de mulher, leve e solta entre os braços que me levam e me movem o corpo ao som de acordes definidos. E rodopio nos oitos atrás e à frente e nos passos a contra-tempo. E encosto a minha cabeça no peito à minha frente, ou fixo os olhos por instantes, no corpo que guia, ou sinto o peito que coordena tudo conectado profundamente.

Mas também quando faço de homem, de forma inesperada. E de repente estou hiper consciente dos meus passos, e de mostrar à mulher que tenho diante o caminho que seguiremos. E a fazê-la entender com o meu tronco onde vamos e com os meus pés onde a quero. E consciente das ligações de passos e destes com o ritmo que ouvimos.

E de repente o tango é uma lição de vida que os 100 euros de 3 em 3 meses não pagam.
De repente o Tango ensina a levar e deixar-se levar. A aproveitar a energia conductora para aprender rápido os passos que fazem os homens. A aproveitar a fluidez ágil com que aprendemos a seguir as propostas e a imprimir-lhes pontos pessoais, que se espera das mulheres.

Deixar de lado a rigidez de querer mandar quando não toca, ou o desejo de ser levado quando não é o momento.
Creio que na vida, como nas nossas aulas de Tango, o poder só tem piada quando se pode desfrutar-lo fluindo. Quando aprendo a conduzir sem que se me note e a seguir sem pesar.
Quando intuo o caminho nos passos do outro e decido se o sigo ou se faço um "adorno" à minha maneira.
Quando ser capaz de seguir de olhos fechados se torna muito, mas muito mais do que um cego a deixar-se levar. Torna-se numa prova de confiança e numa comunicação que excedem a dominância.
Aprendo a deixar-me levada sem ser levada por ninguém. E aprendo a levar, quando os papéis se invertem, sem forçar, sem marcar, sem obrigar. Aprendo a imprimir subtilmente os passos de uma proposta que só será cumprida a dois.

Depois de 9 meses a dançar Tango, reforço a sensação que tive no primeiro dia, ao partilhar com a Soledad, iniciadora nos primeiros passos neste mundo, o engraçado que era reaprender os papéis de género nesta coisa do "tango". Que deixar-se levar não retirava à mulher, a sua força. E que levar, pelo homem, ia muito mais além de saber o que queria fazer. Era importante mostrar um caminho que ambos aceitassem partilhar e que quisessem desenhar juntos, com passos às vezes iguais e às vezes complementares. E às vezes, ser rodopiado sem sair do lugar, ou ter uma perna agarrada sem esperar. E aguentar. E seguir. E fluir entre as notas de Milonga ou Tango que se sentem, sem perder a classe e a postura de presença exigida.

Penso que o Tango, esta dança de sedução e suor, imprime ritmos distintos nas percepções dos "abraços" que estabelemos na vida.

Sentimentos de si...

Hoje, dia de sol, achei que me esta imagem podia falar por mim. O meu corpo mostra o que há dentro. E balanço entre palavras, as palavras... Num sentimento de si.

Ontem morreu o Saramago.
Acabou-se o sonho da viagem a Lanzarote para lhe bater à porta, num fim de tarde cinzento, depois de ter subido a mesma montanha que ele, aos muitos anos de vida. Acabou a magia do encontro que tinha imaginado. Mas continua Saramago.
O velhinho de frases longas, de coisas fundas, de provocações (im)pertinentes para mim. Povoou-me mundos, fez-me pensar outras coisas, inspirou-me o sentido crítico, envolveu-me em páginas de letras acumuladas, encavaladas. Levou-me através de um ritmo novo. O ritmo em que as frases escritas coincidiam com o ritmo dentro da minha cabeça. E creio que por esse ritmo frenético, seguido, visceral e forte me apaixonei.

O ritmo. Hoje o Ritmo.
É Sábado. Às 9 da manhã estava sentada na praça Rius i Taulet, a ocupar uma das muitas mesas livres, com o sol a reflectir, o corpo aberto. Encontrava-me com o argentino R-Ritmo, o amigo de alma com quem, uma vez por ano, fluo também entre palavras de cadência imparável. De novo a mesma sensação de que é impossível desacelerar a vitalidade contida na partilha, a magia dos encontros, a energia de vidas vividas com um sentido mais além.
De novo as palavras que transformam mundos.

Está sol e o sol tem destas coisas. Que desperta os sentidos e as emoções da flor da pele, da liberdade de voar com a cabeça alada. De maximizar a sensação de ritmo implícito em cada acto, em que emoção.

Hoje o insight chega sob a forma de palavras amigas. E acompanha o insight de Alma, mantido com as pessoas que me nutrem de forma forte nos últimos tempos. Tudo parece confluir no mesmo sentido de sintonia. Onde certas coisas deixam de ser estranhas, para serem só assim.

Páro. Agora baralho-me entre o tudo que quero escrever.

Porque agora quero escrever que acredito em que se vive por mais qualquer coisa.
Porque agora acredito tanto no ritmo implícito do Cosmos, que me deixo guiar por ele sempre que é possível (desafio de paciência para mim extremo).
Caramba!
Quero escrever que tudo tem um sentido mais além. Tudo tem que ter um sentido mais além. Não falo de deuses, não sei o que isso é. Falo de mim, falo de nós. Do que há implícito no invísivel aos olhos.
Falo em querer coisas que estão longe dos olhos. E de as saber indentificar e manter-se fiel à vontade que despertam.
Saber reconhecer o ritmo que existe para além de mim. Confiar nele. Rir-me dele, quando não conspira a meu favor e saber esperar até que assim seja.
Não desesperar, não esperar sentado.

Há coisas, e eu gostava de saber estar-lhes mais vezes mais ligada, que entram pelos póros e nos nutrem de forma intensa, "agarrante".

Hoje as palavras coordenaram-me. Entre as do Sr. Saramago, de quem me despeço agradecida pelo passeio a que me levou e ao R-Ritmo, que me inspira a acalmar o Ego (tarefa dificil) e receber inspiração de linhas de máquinas de costura.
Hoje o sentimento de si vai pelas palavras.

Tuesday, June 8, 2010

Acredito que

Os grandes futuros não se preparam rápido.

Mais além...

Acordei e peguei na primeira revista espalhada pela casa.
Fala de viagens, só de viagens.
E a esta hora da manhã entraram-me pelos olhos brincos enormes pendurados de orelhas de outra cor. E caras de meninas com mãos de mulher. E pescadores de mãos gretadas e gente em oração vestida de muitas cores.
E de repente sinto-me estranha, nesta casa de paredes brancas, com luz da manhã a entrar, a ponto de preparar como pequeno almoço aquilo que me apetecer e a sentir aquela homeostasia tão perfeita de sem frio e sem calor, com o corpo livre meio destapado, ágil, moreno, fresco.

Isto é o equilíbrio. Dentro de nada vou sair à rua, onde não tenho medo de nada e onde posso aceder à maior parte das coisas que vejo e desejo.
Onde vou ver coisas bonitas e onde conversarei com pessoas diferentes sobre grandes questões ou sobre os pólens que diminuiram desde a chuvada de Domingo.

Deve ser a isto que se chama paz.
E não deixo de pensar no longe que isto está de quase todo o resto.
O resto... Há tanto resto, longe desta paz.
Ontem lia que nas culturas em que as pessoas que têm que passar largos períodos de tempo à espera de coisas básicas, como nas filas de racionamento de comida ou em questões burocráticas exageradas, perdem a capacidade de "fluir". E como nessa, em tantas outras situações, nas quais a liberdade é tolhida ou em que a saúde peligra, ou em que a segurança não é uma coisa básica e certa.

E, caramba, só me apetece fechar os olhos e agradecer. Agradecer tanto, muito, muito, por poder ter este oásis de paz dentro de mim e à minha volta.
Por, a única coisa que ter que saber lidar serem os meus infernos pessoais, bem apaziguados já, e ter tempo para pensar na escolha dos brincos que ponho a cada manhã.

Porque imagino - e não posso fazer mais do que isso, porque nunca vivi na pele - os infernos externos que rodeiem outras realidades.

Voo para as histórias que contava o líder de uma tribo Masai, aqui há tempos em Barcelona, sobre o passeio das crianças da sua tribo até à escola, a pé, durando mais do que 2 horas e com atenção a certos animais selvagens, não vá a ser que um Gnú lhes chinche o c*.

Voo para as últimas notícias em águas internacionais em que pessoas são mortas e sequestradas quando levam ajuda humanitária para outro lugar que não deve saber o que é um passeio assim, porque sim, a olhar para as casas bonitas.

Voo para os lugares inóspitos de América Central em que o deserto é terra de ninguém e em que um carro pode desaparecer porque sim.

Sinto-me num canto de luz, protegido, solenemente pacífico, harmonioso dentro do seu caos pessoal.
E sinto a obrigação positiva de usufruir tudo isto. Sinto-me na obrigação de limitar ao máximo as queixas comezinhas e na obrigatoriedade de ir cada dia com os olhos postos no belo.
Sinto-me na obrigação de prestar homenagem ao meu corpo funcionante com o qual faço o que quero.
Sinto-me cheia. E no coração de um lugar de liberdade, que quero saber aproveitar, desfrutar, amar e sentir.

Quero sentir muito esta paz. Não só pela beleza contida nesta paz, em si mesma, mas pela comparação deste estado com tantos outros, que nos forçam a ser outras coisas, nem sempre mais agradáveis.

Sobretudo, e se fosse capaz de resumir bem as coisas como realmente as sinto era isto que diria, tenho consciência de que tenho à volta tudo para ser estupendamente feliz.
Que tenho à volta tudo o que me permite sentir asas a cada manhã. E voar, voar muito, rir como quando éramos pequeninos e acabávamos a escola e podíamos brincar, com um pão com queijo na mão. Porque se é feliz e se está bem!

E, se algum dia, as condições que me envolvem mudarem, e eu passar a ter que gastar horas em coisas que agora são tão naturais como esticar o braço, ou pagar por coisas às quais agora não dou valor, espero lembrar-me dos dias de hoje.
Em que tudo é fácil e para ser feliz só temos de estar para aí virados.

Não sei que força cósmica me fez nascer aqui, neste canto de paz em que até me posso preocupar se a pintura da sala está riscada num cantinho, mas agradeço-lhe a sorte. E espero ser capaz de ser flexível o suficiente para viver o que venha sempre com a alegria que agora encontro só por estar viva.

Páro para dizer, para me escrever que me sinto bem. Bem, bem, bem.
Que me sinto bonita na minha pele tostadinha pelos primeiros raios de sol, que cheiro bem pelos duches de água tépida e corrente que tomo e pelos creminhos que ponho. Que me sinto bonita nas roupas que me embrulham e nos breloques com que me enfeito.
Que adoro descer as escadas que dão para a rua e sentir a rua, as pessoas que vão sem olhar para trás.
Que adoro a saúde que me habita e me faz poder inspirar cada cheiro e que me deixa ver tudo o que me enche.
Que adoro a vista da minha janela da sala e a tranquilidade que ela emana.
Que me sinto mesmo bem por poder escolher cada um dos meus passos e sentir-me em todas as formas.

Abraço a vida, porque tenho tempo, disponibilidade, condições, possibilidade e recursos para isso.
É o mínimo que posso fazer: ser FELIZ!

Friday, June 4, 2010

A minha vida passa por aqui: JOGOS DE CORPO E VOZ


JOGOS DE CORPO E VOZ. Promoção do desenvolvimento. Expressão. Psicologia. Trabalho em grupo.

Apaixona-me o que faço.

E amo cada gota deste Projecto.

Mas amo tanto que lhe creio até nos defeitos.
Acarinho-o quando se engasga. Tenho pena quando se detém. Animo-o quando lhe vejo possibilidades. Embalo-o quando sinto que vai bem.

Creio com todo pedaço de alma que é a coisa certa. Que é A coisa.

Nestes últimos tempos tem-me tomado mais tempo do Eu. Porque realmente me apaixona, vivo com ele e me emociono ao vê-lo crescer.

Quando nasceu comparava-o com um producto de criação própria. Agora, com o caminho andado, quase que lhe sigo os passos e o vejo ir com pernas grandes.

Crescerá mais e mais. Tem força dentro.
Nem sempre lhe sei dar o melhor adubo, nem conduzir pelo passeio da sombra nem fazer com que dê o seu melhor.
Mas sei que crescerá até às nuvens que lhe inventarmos.

Crer em alguma coisa na vida é um milagre, um luxo, uma sorte, um privilégio.
Eu creio tanto nisto, e com tanta força, que chegará onde eu saiba levá-lo com confiança.
Espero que a sabedoria de caminho me acompanhe nesta escada que lhe quero plantar nos pés.

E se algum dia voar sem mim, que seja grande e leve a outras gentes a felicidade, fluidez e sorriso estampado que me traz a mim.

Jogos de Corpo e Voz são, para mim, o meu producto perfeito na sua imperfeição patareca e verdinha.
Acredito nisto tanto como acredito em mim.
E acredito muito em ambos juntos.

Um sócia-amiga, um Projecto e um sonho de chegar a mais, sempre com energia dentro.

Pequenas coisas de passagens

Hoje parei para me escrever.

Precisava de me ouvir nos passos de pegadas distintas.
Sair da efervescência, da multitude de coisas juntas em mim, das diferenças onde me movo, dos mundos em que vivo e daqueles pelos que anseio.
Há a gula, sempre a gula que me faz querer mais e sentir que as asas chegam para lá chegar.
Há o olho aberto, sempre aberto, a sentir que as partes altas do mundo existem para lhes chegarmos.
Hoje, entre preparações de workshops que darei e remate de workshops que já dei, depois de ler coisas que me abriram mais mundo e de tratar de detalhes prácticos da vida quotidiana, tive necessidade de vir aos lugares de dentro, onde encontro memórias de momentos eternos.
Passeei mentalmente pelas manhãs a ler ao sol numa esplanada na Praça Rius i Taulet, com as velhinhas sentadas ao lado a comparar maleitas e a desejarem bom estudo.
Passeei pela vez em que andei de patins com joelheiras apertadas e toda a velocidade de que sou capaz nas pernas, conduzida pela música frenética do Ludovico Einaudi que me fazia ir mais e mais e mais depressa por entre as pessoas do passeio e me fazia voar e querer fechar os olhos para sentir o vento da velocidade no peito, nos braços, a romper os poros e inundar-me de ser e de vento.
Também andei por sofás e carpetes onde me sentei a conversar com pessoas grandes. E viajei por algumas palavras que ouvi. E pelos olhos verdes, uns olhos verdes, que me ouviram e me viram e me falaram e estão sempre lá, atrás dos óculos sem moldura.
Viajei pelas vezes em que fiz amor e senti com tanta intensidade os corpos alheios que me fazia Um e era capaz de sentir mais além da pele.
E fui a lugares onde estive e onde continuo a ir, sempre que o que vêem os olhos não é suficiente para inspirar, ou porque as luzes se fecham e já não se vêem paisagens de fora.
De alguns deles tenham fotografias-imagens que me dão nitidez à memória.
Alguns são assim:


Num dia em que fazia 28 anos e tinha mais cara de bebé que nunca, enfiada num barrete azul de lã e acompanhada pela Mãe, redescobria os recantos a Paris.
A noite em que, a duas, passeamos e nos rimos de pequenas coisas e comemos num restaurante não-sei-de-que nacionalidade que tinha coisas apetitosíssimas. E em que acabamos a tirar fotografias com a Torre E. a mudar vertiginosamente de cores atrás de nós.
Na Suiça, numa visita a um sítio bonito onde encontramos neve e a vaca Milka. Com o prazer de parar para ver respirar uma vaca, um bode chifrudo, ou ver voar os patos de asas frias.
De respirar o frio da neve e de me rir às gargalhadas por lhe sentir a textura inusual.
Da companhia da grande amiga que tornava leves os dias.
E dos aloucados momentos em que rodopiámos num importante sino, num jardim entre a Cruz Vermelha e as Nações Unidas, sem que nos importasse mais do que a diversão.
No frio suiço que percorremos enfiadas em cachecóis e boas conversas, entre refeições onde conseguimos alguns raios de sol e cafés que nos fizeram a tarde.

Do momento único em que, num barquinho minúsculo, sentimos o delta do Danúbio. Entre os sons dos pássaros, a passagem pela casa do ditador megalómano, as folhas de árvores de cheiro intenso. Onde senti que o vento era um fenómeno que existia para que os momentos entrassem mais na pele. Onde a natureza me penetrou nos sentidos de uma forma inexperimentada e onde me senti voadora, voando à velocidade do barquinho a motor onde nos deslocávamos, por entre os nenúfares parados.
Onde voo muitas vezes quando há sombra e me paetece estar em paz.
Na mesma Roménia, nas traseiras de uma das casas do jardim de casas de todo o lado. Naquele lugar onde me ri a gargalhada solta com a tia Lena viajeira e onde me sentei só a olhar durante as horas em que ficamos sentadas, na sombra da tarde com sol ao fundo. Numa paisagem de verdes que nos entravam de repente, salpicadas por água que falava idiomas que não entendíamos. Atrás das costas a madeira. Os pés em baloiço a razar o lago. Nós ali, e uma maçã. Só isso.
Na Grécia dos meus sentidos. Numa viagem que me fez sentir tudo tão mais. Onde o sabor foi mais sabor e o sol pôde encontrar um lugar diferente e as ruínas se encheram de vida e história e tudo pareceu reviver num corpo jovem. E os sorrisos eram de dentro e o ar tinha calor suado mas vivido. E em cujas praias me senti cheia de energia e paz, cohabitando num misto de coisa perfeita.
E em Itália onde, depois de apresentar o congresso, descansei entre amigos, passeei um cão e me curaram de uma gripe à base de banho quente e um prato de pasta com azeite.
Onde, agora que penso com relatividade, começou o meu novo caminho profissinal, através do contacto com uma corrente que atñe então desconhecia. Onde o meu corpo dei sinais de querer parar e descansar e onde à base de mimo e Gente me enchi de energia para nova carreira, nova viagem.

Em Nova York, a fotografar a ponte de Brooklin com as gotas de chuva a aterrarem na mochila sem causarem grande importância. No calor entre o frio. Nas corridas de táxi, no burburinho do caos ocidentalizado, nas luzes criadas. Mas também nos raios de sol, de pôr de sol americado com gente a passar a correr e cores bonitas no céu do horizonte, cheio de arranha-céus de New Jersey.
No palco. Italiano. Entre amigos que dão peso mas não pesam. Em experiências que se constroem para a vida e nos fazem mais extensíveis.
Onde a riso não pesa. Onde as almas parecem ser maiores ainda. Onde as conversas de corredor de hotel têm tanta importância como as danças que se improvisam no palco ou as deixas que se memorizam a correr.

Na amálgama de corpos a que pertenço. Seja no Contact, no TCI, no Tango, no amor, no teatro, nos workshops que dou e nas formações que recebo.
Nesse corpo que me intriga e me apaixona e de que vivo quando lhe sinto o calor ou frio, quando o canso, quando o ducho e lhe passo creme de cheiros bons. No corpo que alimento e passeio, nesse corpo que toca e sente e é tocado e se move e fica ali, quietinho, a acolher as memórias, as vivências, as sensações, as conversas vividas e imaginárias.

São pequenas coisas da passagem que se faz grande e apaixonante e intensa. E minha.

Monday, May 10, 2010

A pa-ciência


A paciência é um caminho longo, que mais longo se faz quando se sabe onde se quer ir, onde se quer chegar.
A paciência é o tempo que vai entre o quero e o cheguei. Um tempo com curvas. Um tempo que vale a pena.
Tenho aprendido a aprender da paciência.
A saber ler-lhe os contornos e a respirar o que traz atrás das costas.
Não lhe sou nada. Nem familiar nem amiga próxima. Conhecemo-nos de algumas aventuras, de alguns estados.
Mas quando ela me deixa respirar-lhe os poros, há mais energia.

O tempo é de impasse, de escuta, de respiração.
Tempo em que quero tudo, e em que quero um tudo em forma de todo. Um todo que abarque o que sei fazer com o que quero aprender.

Este é um momento de vida suspendido por linhas que são leves. Em que tudo é possível e em que eu estou toda cá.
Em que a saúde me respira, o ânimo acompanha, em que o tempo se infinita, em que as capacidades se agitam.
Um tempo em que nada de mal acontece, e em que o potencial bom permanece, à espreita, presente.

Há almas boas ao lado. Gente de luz, que faz crescer. O caminho tece-se com passos de vários sapatos. Somos muitos, os que acreditamos. Os que vemos por cima do muro, entusiasmados com o que chega depois de eventualmente esmurrarmos joelhos. Gente que salta e faz saltar, para acreditar sempre que o detrás do muro vale a pena.
Somos gente de todos os lugares, que habitamos este e outros.

Eu hoje acredito que se pode chegar ao longe, aquele longe, aquele, aquele.
Acredito que a paciência seja sábia e me mostre paisagens que não pensava. Tem mostrado. Têm servido.

O caminho para se ser grande é, também ele, grande, enorme. Prolonga-se nas expectativas.
Mas faz-se bem, como uma caminhada pela serra ao fim da tarde, à hora do crepúsculo, em que o calor não aperta e convida a seguir com as gotas leves de suor.

Falo dos meus dias e das minhas gentes e das minhas fotografias e das minhas palavras, e dos meus passos e das minhas danças e das minhas gargalhadas, e dos meus cafés e das minhas noites e das minhas viagens e das minhas ambições, e dos meus workshops.
Falo dos palcos que pisei e dos que vou pisar. Falo dos aviões que me fizeram voar e dos barcos que me embalarão.
Falo dos quadros que ainda não comprei e dos artigos que ainda não escrevi.
Falo do que ainda não li e do que li e não me lembro. E do que me lembro e me faz maior.

Falo desta ambição desmesurada de comer a vida a golfadas de ar, de consumir os recursos viventes e deles retirar a energia para criar mais mundos.
Falo das palavras que se me juntam na cabeça quando passeio de manhã ao sol, para não esquecer que o corpo necessita mover-se, exercitar-se.
Falo de mim.

E agradeço à paciência a sapiência saloia e a erudita, por fazerem deste caminho, que para já tem um mês, uma coisinha gostosa e com sabor a mar com ondas.

Tuesday, May 4, 2010

OLÉ!!!







É uma cultura aparte, esta em que durante 3 dias todos se vestem a rigor, de acordo com a sua cultura.
Flores no cabelo, sapatos de tacão grosso, vestidos de folhos de padrões vários, cores chamativas, cabelos bem apanhados.
Pela rua, com a maior da naturalidade, bebés descansam nos seus carrinhos carregados de folhos. Senhoras de todas as idades desfilam naturalmente vestidos que não imaginamos, sempre ao estilo flamenquero.
E até os cachorros entram na moda das bolinhas....

A arte Flamenco















As posturas, as expressões faciais, os pés, as roupas e sapatos, os adereços, a energia.
Os tacões que batem no chão com força de trovão, a marcar e criar uma música que entra, as mãos que se movem seguras, as costas que se alinham, os olhos que desafiam e se impõem.
A magia das castanholas a bater, a coordenação de braços, pés e mãos.
O mundo incrível do Flamenco e das Sevilhanas.

Monday, May 3, 2010

Edite@Granada






4 dias.
Visita a um amigo, conhecer a cidade, desligar do de sempre, conhecer uma cidade imprescindível, conhecer nova gente bem bonita.
Não está a ser propriamente um enorme centro de energia e entusiasmo, mas é certo que as paisagens são belíssimas e a mistura entre a cultura espanhola e árabe tem o seu quê de curioso.
Ficam, definitivamente, as noites de histórias até às 3 da manhã à volta de chouriço recém-assado e gente de idades diferentes, e os passos cansados dados por toda a área da Alhambra.

Sunday, May 2, 2010

Detalhes "Alhambrescos"