A paciência é um caminho longo, que mais longo se faz quando se sabe onde se quer ir, onde se quer chegar.
A paciência é o tempo que vai entre o quero e o cheguei. Um tempo com curvas. Um tempo que vale a pena.
Tenho aprendido a aprender da paciência.
A saber ler-lhe os contornos e a respirar o que traz atrás das costas.
Não lhe sou nada. Nem familiar nem amiga próxima. Conhecemo-nos de algumas aventuras, de alguns estados.
Mas quando ela me deixa respirar-lhe os poros, há mais energia.
O tempo é de impasse, de escuta, de respiração.
Tempo em que quero tudo, e em que quero um tudo em forma de todo. Um todo que abarque o que sei fazer com o que quero aprender.
Este é um momento de vida suspendido por linhas que são leves. Em que tudo é possível e em que eu estou toda cá.
Em que a saúde me respira, o ânimo acompanha, em que o tempo se infinita, em que as capacidades se agitam.
Um tempo em que nada de mal acontece, e em que o potencial bom permanece, à espreita, presente.
Há almas boas ao lado. Gente de luz, que faz crescer. O caminho tece-se com passos de vários sapatos. Somos muitos, os que acreditamos. Os que vemos por cima do muro, entusiasmados com o que chega depois de eventualmente esmurrarmos joelhos. Gente que salta e faz saltar, para acreditar sempre que o detrás do muro vale a pena.
Somos gente de todos os lugares, que habitamos este e outros.
Eu hoje acredito que se pode chegar ao longe, aquele longe, aquele, aquele.
Acredito que a paciência seja sábia e me mostre paisagens que não pensava. Tem mostrado. Têm servido.
O caminho para se ser grande é, também ele, grande, enorme. Prolonga-se nas expectativas.
Mas faz-se bem, como uma caminhada pela serra ao fim da tarde, à hora do crepúsculo, em que o calor não aperta e convida a seguir com as gotas leves de suor.
Falo dos meus dias e das minhas gentes e das minhas fotografias e das minhas palavras, e dos meus passos e das minhas danças e das minhas gargalhadas, e dos meus cafés e das minhas noites e das minhas viagens e das minhas ambições, e dos meus workshops.
Falo dos palcos que pisei e dos que vou pisar. Falo dos aviões que me fizeram voar e dos barcos que me embalarão.
Falo dos quadros que ainda não comprei e dos artigos que ainda não escrevi.
Falo do que ainda não li e do que li e não me lembro. E do que me lembro e me faz maior.
Falo desta ambição desmesurada de comer a vida a golfadas de ar, de consumir os recursos viventes e deles retirar a energia para criar mais mundos.
Falo das palavras que se me juntam na cabeça quando passeio de manhã ao sol, para não esquecer que o corpo necessita mover-se, exercitar-se.
Falo de mim.
E agradeço à paciência a sapiência saloia e a erudita, por fazerem deste caminho, que para já tem um mês, uma coisinha gostosa e com sabor a mar com ondas.
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