Saturday, June 19, 2010

Sentimentos de si...

Hoje, dia de sol, achei que me esta imagem podia falar por mim. O meu corpo mostra o que há dentro. E balanço entre palavras, as palavras... Num sentimento de si.

Ontem morreu o Saramago.
Acabou-se o sonho da viagem a Lanzarote para lhe bater à porta, num fim de tarde cinzento, depois de ter subido a mesma montanha que ele, aos muitos anos de vida. Acabou a magia do encontro que tinha imaginado. Mas continua Saramago.
O velhinho de frases longas, de coisas fundas, de provocações (im)pertinentes para mim. Povoou-me mundos, fez-me pensar outras coisas, inspirou-me o sentido crítico, envolveu-me em páginas de letras acumuladas, encavaladas. Levou-me através de um ritmo novo. O ritmo em que as frases escritas coincidiam com o ritmo dentro da minha cabeça. E creio que por esse ritmo frenético, seguido, visceral e forte me apaixonei.

O ritmo. Hoje o Ritmo.
É Sábado. Às 9 da manhã estava sentada na praça Rius i Taulet, a ocupar uma das muitas mesas livres, com o sol a reflectir, o corpo aberto. Encontrava-me com o argentino R-Ritmo, o amigo de alma com quem, uma vez por ano, fluo também entre palavras de cadência imparável. De novo a mesma sensação de que é impossível desacelerar a vitalidade contida na partilha, a magia dos encontros, a energia de vidas vividas com um sentido mais além.
De novo as palavras que transformam mundos.

Está sol e o sol tem destas coisas. Que desperta os sentidos e as emoções da flor da pele, da liberdade de voar com a cabeça alada. De maximizar a sensação de ritmo implícito em cada acto, em que emoção.

Hoje o insight chega sob a forma de palavras amigas. E acompanha o insight de Alma, mantido com as pessoas que me nutrem de forma forte nos últimos tempos. Tudo parece confluir no mesmo sentido de sintonia. Onde certas coisas deixam de ser estranhas, para serem só assim.

Páro. Agora baralho-me entre o tudo que quero escrever.

Porque agora quero escrever que acredito em que se vive por mais qualquer coisa.
Porque agora acredito tanto no ritmo implícito do Cosmos, que me deixo guiar por ele sempre que é possível (desafio de paciência para mim extremo).
Caramba!
Quero escrever que tudo tem um sentido mais além. Tudo tem que ter um sentido mais além. Não falo de deuses, não sei o que isso é. Falo de mim, falo de nós. Do que há implícito no invísivel aos olhos.
Falo em querer coisas que estão longe dos olhos. E de as saber indentificar e manter-se fiel à vontade que despertam.
Saber reconhecer o ritmo que existe para além de mim. Confiar nele. Rir-me dele, quando não conspira a meu favor e saber esperar até que assim seja.
Não desesperar, não esperar sentado.

Há coisas, e eu gostava de saber estar-lhes mais vezes mais ligada, que entram pelos póros e nos nutrem de forma intensa, "agarrante".

Hoje as palavras coordenaram-me. Entre as do Sr. Saramago, de quem me despeço agradecida pelo passeio a que me levou e ao R-Ritmo, que me inspira a acalmar o Ego (tarefa dificil) e receber inspiração de linhas de máquinas de costura.
Hoje o sentimento de si vai pelas palavras.

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