Há um ano e 3 dias cheguei a Barcelona. Lembro-me de algumas sensações: do sorriso aberto, do orgulho (incompreensível) de não ter chorado com despedidas, do sentido de aventura, do preenchimento interno por todo o lado com o passo a dar, de vir "bem preparada de amor"....
Lembro-me de mim numa aventura diária constante. De vibrar com coisas sentidas, cheiradas, ouvidas,... E sobretudo da descoberta.
Trazia uma vida estável numa caixinha bem guardada na bagagem. Trazia o plano de uma estadia de meses. Trazia, soube mais tarde, a abertura suficiente para que nada se chegasse a concretizar...
No dia de hoje comemoro a efeméride do ano e 3 dias e penso, e sinto.... Que tanta coisa mudou!... E que tudo tem sentido.
Tenho hoje menos planos de futuro do que os que tinha na altura. Vejo coisas diferentes, vejo-me diferente. Mas não quero pôr óculos de ver ao longe. Quero deixar-me levar.
Penso na minha vida como uma passagem por paisagens diferentes, cheiros distintos, panos de fundo e gentes particulares. Penso no quanto amo a possibilidade de aprender, de experimentar, de conhecer,... E penso no quanto amo a ideia de daqui a um ano estar a comemorar os dois este blog ou o início de um Edite@Berlim ou Edite@Amsterdam. Ou até Edite@Portugal, quem sabe!...
A única coisa que não consigo imaginar é viver sem "blog". Sem uma aventura que narre. A aventura da minha vida....
Há um ano e 3 dias que construo um caminho em que me sinto cómoda e encaixante. E mesmo com todos os momentos estranhos, maus, pesados, desconcertantes, ou tudo isto junto, continuo a achar que cada um valeu a pena por ter posto uma pedrinha na construção que edifico.
Neste momento, depois de 2 semanas e meia de férias na terra mãe, trago um misto de desconcerto e inquietação. Trago o calor quentinho da minha gente; as paisagens bonitas de um país à beira mar plantado e lembranças de refeições magníficas! Trago mimo de mãe e palavras de amigos. Trago 2 semanas de poucas tarefas domésticas e de quase nenhuma das obrigações habituais. Mas trago também um certo desconcerto com a sensação de desadaptação sentida. E o quase medo de me sentir estranha em própria terra...
Misturo no mesmo pote a ânsia de voltar à terra com a resistência a sair daqui. E confesso o respiro de alívio de chegar de novo a Barcelona, mesmo depois de 7 longas horas de viagens...
Eu não quero deixar-te, minha terra, minha gente. É só que o corpo agora pede aqui. Não sei pôr isto por palavras bonitas. Nem por mensagens perfeitas. Só sei dizer que nesta dança de encaixes e desencaixes eu nem sempre me oriento muito bem... :)
E que agora me sento à mesa para celebrar os Reis e que recebi um presente trazido por eles....
Um ano, 3 dias e uma Edite meia atordoada mas convicta.
Sunday, January 6, 2008
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1 comment:
tá bem. tá aceite.
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