E no fim de um dia de preparação de trabalho em casa, leituras no metro, compra de protecções para patinagem, trabalho na FYVAR, cozinhados rápidos e mal amanhados a correr e 4 horas de Supervisão de master, arranjo força para ir a casa, trocar as calças pretas por uns jeans e apanhar o metro de 3 transbordos para ir à aula de patinagem.
São quase 10 da noite. Em dias normais é o momento para dar-me por rendida e aterrar no sofá de casa, a desejar ir prá cama no quarto branco. O cérebro já deita fumo...
Mas talvez por isso mesmo, agarro com força a mochila dos patins e um queijinho da vaca-que-ri e começo a correr para o metro.
Entre uma estação de metro e outra vou colocando as protecções. Até à Sagrada Família tenho tempo para as joelheiras. Daí até ao Clot termino as coltoveleiras. E pelo caminho a pé até ao Parque, ponho os punhos que fazem clac clac quando dou palmas.
O cabelo vai por todo o lado, em desalinho anárquico. O casacão vai pendurado no saco, com os fios a arrastar pelo chão. O coração bate de cansaço, pressa e entusiasmo de me juntar depressa à aula já começada.
São imensas as pessoas já dispersas naquela parte do parque. São várias as cores com que se vestem e muito variados os movimentos que dão côs aos olhos.
Calço os patins num zip zap e atiro tudo para a roda do material pessoal, no centro do recinto. Junto-me ao meu grupo (sou avançada! nhé nhé nhé! Quase que posso passar para o nível ultimo! nhé nhé nhé!) e começo a travar em derrape, a virar-me de costas, a saltar e rodar,...... Caio e estrio os punhos novos. O ar fresco dá-me na cara. A ranhoca espreita no nariz. É o frio, é a noite, é o calor que o corpo começa a criar, depois da cabeça ter sido espremida...
Tenho alguém que me espera ao final. Me diz que era das mais avançadas do meu grupo e me avalia criticamente os saltos conseguidos. Alguém que me leva os patins até ao metro e ouve a minha excitação por já consegui fazer não sei que movimento, entre menções a um autor que li durante a tarde e a minha descrição pormenoriada do tamanho da minha fome!
Apanho, por sorte, o último metro da noite. E quando já vou sozinha, com as pernas esparramadas no banco da frente e a pensar como subirei as escadas do metro e de casa, tal é o cansaço, mordo a minha banana nanica.
Há poucos dias em que os duches não sabem bem. Mas em dias em que o vento me deu na cara a uma velocidade criada por mim e vejo o mundo de 8 cm mais acima (das rodinhas!:), os duches além de saberem bem, deixam-me contente.
Os dias só têm mesmo 24horas?
Wednesday, January 30, 2008
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