Wednesday, January 30, 2008

O Master mais a fundo.

Estou no 2º ano - 2º módulo, chamam-lhe - do meu master em Análise e Condução de Grupos, na UB.
É tempo para pré-análise. A coisa vai lançada.
Às 2ªs feiras sentamo-nos detrás de um espelho unilateral, que nos permite observar sem ser vistos e agarramos com força os cadernos de notas, apoiados no pequeno beiral de madeira onde nos empoleiramos, mal sentados e mal iluminados . Tudo para que sejamos o menos notado possível. Apagam-se os telemóveis e colocam-se os headphones que nos permitem chegar à sala que vemos, com os ouvidos. O relógio marca as 19 e começa o T-Group. Os 10 de dentro, observados pelos 7 de fora. 2 conductores sentam-se também na roda de grupo e uma monitora externa zela pelo bom funcionamento e impõe as regras. Numa sala contígua o coordenador do master segue o grupo através do circuito de TV fechado, que grava tudo ao detalhe.
Até às 21 horas não há WC. Não há espirros demasiado sonoros. Não há dispersão. É o momento em que captamos o materia para análise. De donde tiramos o sumo para a nossa aprendizagem sobre grupos, na prática. Com esse material montamos e desmontamos visões, lemos e relemos coisas que nos façam entender e justificar os porquês. Sobretudo pomos as nossas "gafas de grupo", com o que sempre nos insistem.
E numa semana encontramo-nos com um grupo de trabalho, voltamos a dar voltas aos assuntos e comparmos perspectivas. Até conseguirmos montar frases coerentes que colamos no nosso Paquito (o programa internáutico em que todo o material de leituras, partilhas e afins é colocado, visto e descarregado por todo o master).
Esta é apenas uma parte do muito que se faz.
Porque aparte disto, coordenamos ciber grupos (discussões sobre uma temática em que, este ano, nos toca a condução, via chat, de um grupo de 4 pessoas).
Pensamos em projectos de intervenção que serão a base de teses.

Gosto destas dinâmicas. Reuniões de Supervisão em que se discutem pontos de evolução do grupo que vemos. Em que se dão e recebem pontos de vista técnicos. Em que se pergunta aos conductores o porquêde actuarem assim ou assado...
É o cérebro a mover-se... A espevitar.

Há momentos que esgotam bastante. Quando sinto o apelo ao cerebral, ao conhecimento a 1000, a leituras e leituras que nem sempre conigo fazer,.... puf!...
Mas há momentinhos que valem a pena. Quando os Sete Magníficos do 2º módulo terminam uma aula ou uma observação e se reúnem no frio da noite à volta de um candeeiro baixinho, do pátio da faculdade. Entre o fumo do cigarro e os fuminhos que nos saem da boca, pelo frio, rimos, comentamos, disparatamos... Descarregamos a racionalidade toda em comentários patós! E aquela luz branca do candeeiro é, naquele momento o que nos une. E todas as idas à faculdade terminam daquela forma.

A verdade é que nem sempre saio 100% contente. Às vezes porque o academicismo me irrita um bocado, às vezes porque simplesmente me sinto meia burra em relação aos outros:)
Mas reconheço o previlégio de estar numa formação em que sou tratada como a Edite. Em que os professores nos dão palmadas no braço e nos fazem comentários sobre o cabelo ou a camisola gira que levamos, no intervalo de café. Em que disputamos com o Coordenador a vez na fila para a máquina do chocolate quente e em que se cravam cigarritos na hora em que nos juntamos todos atrás da porta de vidro, a matar vícios ou a apanhar o fresco do ar entre árvores (a faculdade fica rodeada por pinhais frescos).
Às vezes venho pelo caminho de casa a pensar que sou menos e que não entendo metade do que os colegas já sabem. E a remoer que nunca lhes vou chegar aos calcanhares.
Mas há dias em que os conhecimentos são partilhados, em que as reuniões de trabalho sérias se descontraem e me fazem sorrir pelo previlégio de estar, acima de tudo, entre pessoas.

Bem, um master em grupos não podia ser menos que isto, afinal a verdade é esta! :)
Vivam as pessoas!

1 comment:

Anonymous said...

tu?? aposto que tu sozinha sabes mais que dois ou três deles juntos!! é que, a juntar À tua sólida formação de base, tens o teu insight natural, o teu dom e a tua rapidez de raciocínio! não digas asneirolas!