Este vai ser para sempre um ano memorável.
Porque eu aprendo em cada esquina que não são só as coisas boazinha e coloridas como a Floribela que marcam a vida. Não são só os casamentos, as festas, as viagens e as ilusões que deixam marca.
Os funerais, as viagens esgotantes com lágrimas que escorrem, as horas de discussões, o cansaço marcado em olheiras que se arrastam e arrastam e arrastam,... também marcam. Também fazem com que um ano seja digno de recordar.
E nestes primeiros 3 meses do ano, eu faço um balanço de intensidade.
Passaram já 2 meses e meio desde que esta aventura catalã começou. E dela tudo até agora fez parte. Inclusive o tudo que se passou no meu país, o do lado. Inclusive as saídas de cá. É a vida que não pára.
Comecei por dizer "OLÀ!!" a tudo! Às pesssoas novas, à nova casa, aos novos hábitos, aos novos sítios, aos novos costumes e rotinas, ao novo trabalho, à forma de sentir,... E andava cansada mas tão entusiasmada que rebolava de contente, que inundava tudo com a força que me fazia avançar com o vento.
E agora sinto-me numa nova etapa. A do "ADEUS"... Disse adeus à avó. Disse adeus, por uns tempos, a Portugal, aonde me desloquei demasiadas e angustiadas vezes seguidas. Digo adeus por uns tempos ao meu Projecto e deixo-o entregue à mãe adoptiva. Digo adeus a algumas coisas para que consiga sobreviver a continuar a dizer "olá, como vai?".
Já não busco um "olá" de quem vê tudo de novo, mas preciso deste "olá, como vai", daqueles que usamos quando já conhecemos algo mas lhe queremos bem. O Olá familiar de quem aproveita algo.
Por isso hoje, passados dois meses, alguns dias, uma morte e 5 viagens a Portugal, eu quero ficar aqui, na Calle Manigua, na Barcelona que me acolhe, acolhida ao longe pelas minhas forças, as minhas pessoas e a minha Pessoa. Quietinha, a ver se as forças vêm e me rodeiam e me deixam outra vez sorrir e sentir-me deslumbrada.
A falta de força irrita-me!
E ontem saí do avião, daquela que quero que seja a ultima dos próximos tempos (um mês! Pelo menos um mês sossegada, sem ter de estar sempre com a mala semi-feita e sem poder comprar bilhetes para os espectáculos que quero ver por não saber se estou ou não cá!). E quando voava por cima da praia de BCN deu-me vontade de sol, de ar na cara e gente bonita na rua.
E por isso, cheguei a casa, comi cereais e peguei nos patins e na música. E foi com o cabelo atado com uma fita e os patins em linha a deslizarem por mim que relembrei onde estava.
Estou em Barcelona, onde quero, como quero. Na cidade que eu ainda vejo com muito para me dar.
E por isso, vou tentar deixar a falta de força por aí e agarrar de novo o vento que me dá na cara quando patino. E no ar que me ficar para trás deixo os tudos dos ultimos tempos.
Agora desligo o computador e dirigo-me ao meu Master. Aquele que me trouxe cá. E nele vou buscar conhecimento e energia.
Em dois meses e meiocabem tantas coisas.....
Monday, March 12, 2007
Saturday, February 17, 2007
Um pouco do master
Constato que do Master, o grande motivo que me trouxe cá, tenho deixado pouco no blog.
Talvez porque nos tenham posto, ao início, tantos constrangimentos de secretismo, ou por simplesmente ter de pensar tanto nele e trabalhar tanto para ele, que me parece a mais falar dele.
Mas agora que já consigo ver um pouco mais a partir de fora, acho que preciso de deixar cá um pouco dele também.
Pois o master é composto por várias partes diferentes:
- Às segundas, em vez de nos pormos ao sol, temos t-group. Cada semana um dos dois grupos tem sessão, ou seja participa e o outro observa e regista. Durante uma hora e meia vive-se um grupo. Num ambiente quase hermético - o laboratório de Psicologia Social - com espelhos unidireccionais, com câmaras (que são só de filmar, mas que no início pareciam de gás, tal era a ansiedade que ajudavam a provocar!), com uma turma de 2º ano a observar por trás dos espelhos, um professor a observar/coordenar no fundo da sala, outro numa sala à parte e um clima de tensão pairante.
Este é o cenário:)
E basicamente durante aquela hora e meia vê-se o que espontaneamente passa. As comunicações que surgem, as interacções, os tudos e os nadas. E mais não se pode abrir!:)
- Às quarta-feiras é dia de teoria. 4 horas de conversa à volta de uma mesa grande e ovalada, com alguém mais velho e professor com quem falamos de temas específicos, pasiveis de serem adaptados às nossas curiosidades/necessidades. Sem a postura "professoral" e hierárquica (se bem que a sensação implícita de quem sabe mais está sempre lá, inevitavelmente, pela experiência e à vontade com que falam de cada tema).
E um dia por mês temos os Seminários de um tema mais específico. Nesse dia, intensivamente provamos a temática em questão com peritos da área que vêm de toda a parte.
Na quarta-feira antes desse seminário temos aquela que para mim é a forma mais fabulosa de estudo: o ciber group. Para o ciber group temos que ler uma série de textos escolhidos pelos profesores coordenadores e pela própria pessoa que dará o seminário, relativos ao tema. Os textos são divididos entre o grupo de 4 que os trabalhará (sempre o mesmo grupo, definido pela coordenação do master também), a quem caberá recolher as ideias base. E depois, durante duas horas, reunimo-nos num chat específico do master, coordenados por uma equipa de dois alunos do 2º ano, para discussão de ideias. E aí tudo é analisado. Cada um, a partir de sua casa, participa nessa quase tertúlia cibernética em que tudo interessa: o que se diz, o que se mostra saber sobre o tema, a capacidade de integrar outras opiniões, de respeitar as outras,..... Essas 2 horas originam imensa tensão em todos. Mas a mim além da tensão que me deixa o cérebro colado ao tecto, deixa-me uma sensação de orgasmo intelectual (como o perdão do excessivo sentido explícito da frase!), como se fosse possível continuar para sempre a trocar ideias, a ouvir e "falar" sobre o tema! Para mim, que sou particularmente avessa a "cabular", a "marrar", este sistema "vem-me às maravilhas", como dizem os espanhóis! É conversar sobre conteúdos e com conteúdos! Entre gente interessada e interessada, onde vale tudo, desde a citação ao comentário do tipo "eu não vou à bola com esta teórica nem um pouquinho, meu!"
E assim passa o master... Com relatórios quinzenais e feedbacks orais quinzenais (Uma semana um, na oura o outro), que nos dão horas de trabalho exasperantes, mas que pela forma qualitativa como são avalidados nos fazem sentir que vale a pena o esforço! Não se luta por um 15 ou 17! Luta-se por aprender a fazer bem!
Eu sabia que este master me ia exigir muito, mas também ia ser exactamente o que eu buscava.
E a verdade é que, apesar deste master me exigir muito, é precisamente o que eu busco!
Na mouche!:)
Talvez porque nos tenham posto, ao início, tantos constrangimentos de secretismo, ou por simplesmente ter de pensar tanto nele e trabalhar tanto para ele, que me parece a mais falar dele.
Mas agora que já consigo ver um pouco mais a partir de fora, acho que preciso de deixar cá um pouco dele também.
Pois o master é composto por várias partes diferentes:
- Às segundas, em vez de nos pormos ao sol, temos t-group. Cada semana um dos dois grupos tem sessão, ou seja participa e o outro observa e regista. Durante uma hora e meia vive-se um grupo. Num ambiente quase hermético - o laboratório de Psicologia Social - com espelhos unidireccionais, com câmaras (que são só de filmar, mas que no início pareciam de gás, tal era a ansiedade que ajudavam a provocar!), com uma turma de 2º ano a observar por trás dos espelhos, um professor a observar/coordenar no fundo da sala, outro numa sala à parte e um clima de tensão pairante.
Este é o cenário:)
E basicamente durante aquela hora e meia vê-se o que espontaneamente passa. As comunicações que surgem, as interacções, os tudos e os nadas. E mais não se pode abrir!:)
- Às quarta-feiras é dia de teoria. 4 horas de conversa à volta de uma mesa grande e ovalada, com alguém mais velho e professor com quem falamos de temas específicos, pasiveis de serem adaptados às nossas curiosidades/necessidades. Sem a postura "professoral" e hierárquica (se bem que a sensação implícita de quem sabe mais está sempre lá, inevitavelmente, pela experiência e à vontade com que falam de cada tema).
E um dia por mês temos os Seminários de um tema mais específico. Nesse dia, intensivamente provamos a temática em questão com peritos da área que vêm de toda a parte.
Na quarta-feira antes desse seminário temos aquela que para mim é a forma mais fabulosa de estudo: o ciber group. Para o ciber group temos que ler uma série de textos escolhidos pelos profesores coordenadores e pela própria pessoa que dará o seminário, relativos ao tema. Os textos são divididos entre o grupo de 4 que os trabalhará (sempre o mesmo grupo, definido pela coordenação do master também), a quem caberá recolher as ideias base. E depois, durante duas horas, reunimo-nos num chat específico do master, coordenados por uma equipa de dois alunos do 2º ano, para discussão de ideias. E aí tudo é analisado. Cada um, a partir de sua casa, participa nessa quase tertúlia cibernética em que tudo interessa: o que se diz, o que se mostra saber sobre o tema, a capacidade de integrar outras opiniões, de respeitar as outras,..... Essas 2 horas originam imensa tensão em todos. Mas a mim além da tensão que me deixa o cérebro colado ao tecto, deixa-me uma sensação de orgasmo intelectual (como o perdão do excessivo sentido explícito da frase!), como se fosse possível continuar para sempre a trocar ideias, a ouvir e "falar" sobre o tema! Para mim, que sou particularmente avessa a "cabular", a "marrar", este sistema "vem-me às maravilhas", como dizem os espanhóis! É conversar sobre conteúdos e com conteúdos! Entre gente interessada e interessada, onde vale tudo, desde a citação ao comentário do tipo "eu não vou à bola com esta teórica nem um pouquinho, meu!"
E assim passa o master... Com relatórios quinzenais e feedbacks orais quinzenais (Uma semana um, na oura o outro), que nos dão horas de trabalho exasperantes, mas que pela forma qualitativa como são avalidados nos fazem sentir que vale a pena o esforço! Não se luta por um 15 ou 17! Luta-se por aprender a fazer bem!
Eu sabia que este master me ia exigir muito, mas também ia ser exactamente o que eu buscava.
E a verdade é que, apesar deste master me exigir muito, é precisamente o que eu busco!
Na mouche!:)
Já não é só paixão, também é amor!
Esta semana foi dia de namorados. E pela rua era tudo flores, bombons e corações.
E nesse dia, ao caminhar, ocorreu-me que as principais coisas (e pessoas) da minha vida passam, de forma intensa, da paixão ao amor sem perderem da primeira, a intensidade, o brilho, o sentido esfusiante!
Assim é com a minha pessoa, com quem à distância cultivo a melhor das harmonias através dos nossos espontâneos compromissos epistolares (aos quais sou fervorosamente devota e entregue!). Assim é com o meu trabalho, que me arrebata sem que eu saiba como, mesmo nos dias de menos vontade. E assim é com a cidade que escolhi para, neste momento, viver os 26 anos e a minha energia.
Os dias de cão continuam a acontecer, claro. E não seria normal se tudo fossem flores. Mas o ar que eu respiro em certos momentos dá-me uma força tão grande, uma sensação de tudo poder tão preenchedora, que às vezes parece que me vai ser uma sensação qualquer em forma de espirro!
A verdade é que há momentos especiais. Como o momento em que saio da dança e passeio de patins à beira mar, às 9 da noite, a ver todas as luzes da cidade e com o cheiro a harmonia, a tranquilidade percorrer-me o corpo...
Como o momento em que depois de um dia fechada em casa a preparar ciber group (uma parte bastante trabalhosa do master), saio para a rua com vontade de "meter Barcelona pelos olhos, pelos ouvidos, pelo nariz....". E saio de casa e caminho. Com a música nos ouvidos (:)) a percorrer caminhos que não conheço, perto de casa, e a dar por mim a cantar alto um refrão que me entusiasma, de tão feliz que me sinto! E sigo por uma e outra rua. E apanho um metro só pelo prazer de ver onde me leva aquela linha. E exploro a zona quando saio do metro e volto a casa com muito sono e mais coisas na cabeça. E são onze e meia da noite e eu venho com mais Barcelona dentro.
E há tanta doçura em certos pormenores que me deixa as entranhas em turbilhão: o menino de 10 anos do super mercado que me ajuda com as compras e me compõe o saco roto; a velhinha que me pergunta onde é a "merceria" à porta da própria merceria e a quem eu, solicitamente, levo ao mini-mercado do outro lado da rua, por confundir merceria (loja de meias e coisas que tais) com mercearia (Português!!!!!)!; a senhora da loja dos vegetais que me chama sempre "cariño" e os seu ajudante brasileiro que fala espanhol com sotaque cantante....
Tudo me maravilha, confesso.
Maravilha-me a calma quando o metro, apinhado e à hora de almoço, encrava numa estação e, dentro, as pessoas simplesmente esperam. Não se levantam, não praguejam, não prometem pancada ao chefe do metro!Esperam. Quando muito levantam a cabeça do jornal gratuito ou do livro ou páram de mexer no piercing...
Amo esta cidade pelos cantores de estação de metro, que cantam Jaques Brell ou Xutos e me fazem lançar sorrisos para "o fundo da rua"...
E mesmo quando tenho que esperar pelas 5 da tarde para ir ao supermercado ou à livraria, a maldizer o raio de horários estranhos que a malta aqui tem, me dá vontade de rir por imaginar tudo a despertar estremunhado da siesta!
A vida aqui é bonita. Não que não tenha histórias de assaltos, bicicletas sem rodas e assentos em cada esquina, motoristas de taxi enganadores, cafés ao preço de ouro,..... Mas é bonita, pronto! Ou pelo menos para já é assim que eu a sinto!
Já não é só paixão, é amor também. Como nas coisas mesmo importantes da minha vida!:)
E nesse dia, ao caminhar, ocorreu-me que as principais coisas (e pessoas) da minha vida passam, de forma intensa, da paixão ao amor sem perderem da primeira, a intensidade, o brilho, o sentido esfusiante!
Assim é com a minha pessoa, com quem à distância cultivo a melhor das harmonias através dos nossos espontâneos compromissos epistolares (aos quais sou fervorosamente devota e entregue!). Assim é com o meu trabalho, que me arrebata sem que eu saiba como, mesmo nos dias de menos vontade. E assim é com a cidade que escolhi para, neste momento, viver os 26 anos e a minha energia.
Os dias de cão continuam a acontecer, claro. E não seria normal se tudo fossem flores. Mas o ar que eu respiro em certos momentos dá-me uma força tão grande, uma sensação de tudo poder tão preenchedora, que às vezes parece que me vai ser uma sensação qualquer em forma de espirro!
A verdade é que há momentos especiais. Como o momento em que saio da dança e passeio de patins à beira mar, às 9 da noite, a ver todas as luzes da cidade e com o cheiro a harmonia, a tranquilidade percorrer-me o corpo...
Como o momento em que depois de um dia fechada em casa a preparar ciber group (uma parte bastante trabalhosa do master), saio para a rua com vontade de "meter Barcelona pelos olhos, pelos ouvidos, pelo nariz....". E saio de casa e caminho. Com a música nos ouvidos (:)) a percorrer caminhos que não conheço, perto de casa, e a dar por mim a cantar alto um refrão que me entusiasma, de tão feliz que me sinto! E sigo por uma e outra rua. E apanho um metro só pelo prazer de ver onde me leva aquela linha. E exploro a zona quando saio do metro e volto a casa com muito sono e mais coisas na cabeça. E são onze e meia da noite e eu venho com mais Barcelona dentro.
E há tanta doçura em certos pormenores que me deixa as entranhas em turbilhão: o menino de 10 anos do super mercado que me ajuda com as compras e me compõe o saco roto; a velhinha que me pergunta onde é a "merceria" à porta da própria merceria e a quem eu, solicitamente, levo ao mini-mercado do outro lado da rua, por confundir merceria (loja de meias e coisas que tais) com mercearia (Português!!!!!)!; a senhora da loja dos vegetais que me chama sempre "cariño" e os seu ajudante brasileiro que fala espanhol com sotaque cantante....
Tudo me maravilha, confesso.
Maravilha-me a calma quando o metro, apinhado e à hora de almoço, encrava numa estação e, dentro, as pessoas simplesmente esperam. Não se levantam, não praguejam, não prometem pancada ao chefe do metro!Esperam. Quando muito levantam a cabeça do jornal gratuito ou do livro ou páram de mexer no piercing...
Amo esta cidade pelos cantores de estação de metro, que cantam Jaques Brell ou Xutos e me fazem lançar sorrisos para "o fundo da rua"...
E mesmo quando tenho que esperar pelas 5 da tarde para ir ao supermercado ou à livraria, a maldizer o raio de horários estranhos que a malta aqui tem, me dá vontade de rir por imaginar tudo a despertar estremunhado da siesta!
A vida aqui é bonita. Não que não tenha histórias de assaltos, bicicletas sem rodas e assentos em cada esquina, motoristas de taxi enganadores, cafés ao preço de ouro,..... Mas é bonita, pronto! Ou pelo menos para já é assim que eu a sinto!
Já não é só paixão, é amor também. Como nas coisas mesmo importantes da minha vida!:)
Tuesday, February 6, 2007
Também há dias-cão
Escrevo à uma da manhã de uma já 3ª feira que começou no Domingo.
O Garfield bem diz que as segundas-feiras são como são, mas ele não conhecia o poder de um mestrado como o que eu estou a fazer!!!! Puf! Que canseira! Que stress! Que trabalhão!
Eu estou muito cansada. Tenho muito sono e sinto a cabeça a pesar uma arroba, mas talvez pelo poder catártico que este blog tem, não podia deixar de deixar cá o registo por palavras das ultimas horas!
Sendo assim, a minha segunda-feira, o dia mais intenso do master, começou no Domingo às 2 da tarde, comigo sentada à mesa da sala a dizer: "pois aqui está o material todo espalhado... Vamos lá a começar este informe (relatório)!".... E às duas da manhã de ontem já eu tinha comido um pacote de bolachas e estava a resmungar com os botões do computador e a praguejar em simultâneo. Decido acordar mais cedo para dar os retoques finais, mas quando o despertador-telemóvel tocou tudo o que fiz foi meter-me debaixo do chuveiro e tomar o meu pequeno almoço de meia hora. Deixei os retoques ao relatório super-mega para a viagem de 14 minutos de metro, em direcção ao trabalho. Não, de facto não deu para muito, mas a consciência sempre fica mais tranquilita quando se dedica algum tempo a fazer parecer que se fez qualquer coisa!
Claro que a manhã de trabalho passou a voar, comigo a pensar no sono, no relatório, na fome a meio da manhã e em "algumas" saudades. E nem o facto de ter recebido hoje, pela primeira vez, o meu salário como trabalhadora por conta de outrem, com descontos de segurança social e tudo!, me fizeram esquecer os afazeres! Até porque um deles era uma conulta de dentista!
E assim foi! Na meia hora a mais que fiquei no escritório fiz a revisão ortográfica espanhola do dito informe de 12 páginas, meti-me a voar no metro, vim a casa almoçar o arroz de frango feito no Sábado e aquecido no micro-ondas, imprimi o dito trabalhão, apanhei o metro e o comboio e cheguei ao dentista a tempo de passar ainda o fio dental! Entretanto fiquei com uma cárie do tamanho do Urzebaquistão tratada (ou assim espero, se o meu corpo reagir bem ao tratamento), saí a correr da clínica pija ("bem") onde sou tratada e voei para a aula de master, com a cara toda adormecida e a pedir a revista ao jornaleiro tipo Silvester, com chuva por todo o lado! No fim de tudo isto a aula de t-group (o dito "fight-club" psicológico), hoje como observadora, pareceu uma brincadeira de niños! (Não fora o facto de eu falar castelhano como uma porta a ranger, tal era o efeito ainda da dita anestesia!). E no fim de um dia assim, a meio da viagem de metro para casa, o amigo arquitecto amigo da amiga desafia para jantar lá em casa e lá troco a linha azul pela amarela para acabar a noite em casa dele a falar com a sua companheira de casa dentista, que me avalia o tratamento dentário entre os pedaços de pizza comidos e no meio do seu quebab! Para coroar, acabámos a ver o Dr House dobrado em espanhol (argh!!!) e eu percebo que o metro termina às 24:00 e saio a voar de casa deles, tipo Cinderela, mas sem sapatos tão chiques! Ainda apanho o metro - o último - e chego a casa a tempo de mais duche e reflexões. E enquanto escrevo as memórios de um dia-cão, a uruguaya que vive cá em casa fala ao telefone à velocidade da luz há sensivelmente uma hora, ao lado meu quarto!
Há dias de cão, mesmo em Barcelona! Que Ghaudi esteja connosco!
O Garfield bem diz que as segundas-feiras são como são, mas ele não conhecia o poder de um mestrado como o que eu estou a fazer!!!! Puf! Que canseira! Que stress! Que trabalhão!
Eu estou muito cansada. Tenho muito sono e sinto a cabeça a pesar uma arroba, mas talvez pelo poder catártico que este blog tem, não podia deixar de deixar cá o registo por palavras das ultimas horas!
Sendo assim, a minha segunda-feira, o dia mais intenso do master, começou no Domingo às 2 da tarde, comigo sentada à mesa da sala a dizer: "pois aqui está o material todo espalhado... Vamos lá a começar este informe (relatório)!".... E às duas da manhã de ontem já eu tinha comido um pacote de bolachas e estava a resmungar com os botões do computador e a praguejar em simultâneo. Decido acordar mais cedo para dar os retoques finais, mas quando o despertador-telemóvel tocou tudo o que fiz foi meter-me debaixo do chuveiro e tomar o meu pequeno almoço de meia hora. Deixei os retoques ao relatório super-mega para a viagem de 14 minutos de metro, em direcção ao trabalho. Não, de facto não deu para muito, mas a consciência sempre fica mais tranquilita quando se dedica algum tempo a fazer parecer que se fez qualquer coisa!
Claro que a manhã de trabalho passou a voar, comigo a pensar no sono, no relatório, na fome a meio da manhã e em "algumas" saudades. E nem o facto de ter recebido hoje, pela primeira vez, o meu salário como trabalhadora por conta de outrem, com descontos de segurança social e tudo!, me fizeram esquecer os afazeres! Até porque um deles era uma conulta de dentista!
E assim foi! Na meia hora a mais que fiquei no escritório fiz a revisão ortográfica espanhola do dito informe de 12 páginas, meti-me a voar no metro, vim a casa almoçar o arroz de frango feito no Sábado e aquecido no micro-ondas, imprimi o dito trabalhão, apanhei o metro e o comboio e cheguei ao dentista a tempo de passar ainda o fio dental! Entretanto fiquei com uma cárie do tamanho do Urzebaquistão tratada (ou assim espero, se o meu corpo reagir bem ao tratamento), saí a correr da clínica pija ("bem") onde sou tratada e voei para a aula de master, com a cara toda adormecida e a pedir a revista ao jornaleiro tipo Silvester, com chuva por todo o lado! No fim de tudo isto a aula de t-group (o dito "fight-club" psicológico), hoje como observadora, pareceu uma brincadeira de niños! (Não fora o facto de eu falar castelhano como uma porta a ranger, tal era o efeito ainda da dita anestesia!). E no fim de um dia assim, a meio da viagem de metro para casa, o amigo arquitecto amigo da amiga desafia para jantar lá em casa e lá troco a linha azul pela amarela para acabar a noite em casa dele a falar com a sua companheira de casa dentista, que me avalia o tratamento dentário entre os pedaços de pizza comidos e no meio do seu quebab! Para coroar, acabámos a ver o Dr House dobrado em espanhol (argh!!!) e eu percebo que o metro termina às 24:00 e saio a voar de casa deles, tipo Cinderela, mas sem sapatos tão chiques! Ainda apanho o metro - o último - e chego a casa a tempo de mais duche e reflexões. E enquanto escrevo as memórios de um dia-cão, a uruguaya que vive cá em casa fala ao telefone à velocidade da luz há sensivelmente uma hora, ao lado meu quarto!
Há dias de cão, mesmo em Barcelona! Que Ghaudi esteja connosco!
Saturday, February 3, 2007
Pequenos pedaços de gente
É parte do cenário do meu quarto e onde se reunem "pequenices" importantes:
- Uma é a caixa colorida, escolhida propositadamente como um presente de aniversário especial, para que eu pudesse manter as coisas importantes perto e arrumadas e ainda por cima envoltas em cores físicas e de ânimo. Uma caixa que representa também o sentido positivo e enérgico das aventuras e que não nos deixa esquecer que não se podem deixar apagar as cores de nada.
- Outra é uma pequena e deliciosa caixinha, totalmente adaptada e personalizada, também oferecida como forma de mostrar que de tudo se faz tudo e onde se abrigam os pormenores que não se querem perder.
- O terceiro é um quadro, pintado por um dos 5 outros habitantes cá de casa, que mostrou que se pode ir de altamente mau feitio pessoa troglodita domesticado e até simpático.
- O quarto é o novo candeeiro que me ilumina as noites de muito sono, em conversas de Amor via internet e telefone e que mantêm o tom avermelhado da paixão bem aceso, mesmo quando as outras luzes já se apagaram.
Tudo bem assente numa mesa branca, clara como os dias em que gosto de acordar!
O quarto novo: o antes e o agora
E aqui ficam, finalmente, registos visuais do quarto onde moro há duas semanas! Os registos são do antes, no dia 22, em que às dez e meia da noite comecei a pegar na esfregona para começar a preparar o novo quarto, e do agora, em que já tive oportunidade de correr os mercados de rua com as pechinchas e povoar de pequenas coisas coloridas o meu habitat.
As cores e os materiais foram tornando mais meu este espaço. Os armários enormes são o aspecto mais chamativo e prático. E a isso se acrescentam as pequenas coisas trazidas de Portugal, as coisas das minhas Pessoas, que têm lugar em recantos do quarto que é meu.
Barcelona-Madrid-Barcelona
Às vezes acho que acontecem demasiadas coisas. Não porque me aborreça que aconteçam demasiadas coisas, mas porque efectivamente tudo cá anda tão depressa que na maior parte das vees nem tenho tempo de reflectir sobre o tudo que se passa e passou!
Bem dizia alguém, numa conversa que ouvi à espera de um qualquer transporte público, que nos dias de hoje já não havia filósofos como os clássicos porque o ritmo de vida é tão, tão acelerado e exigente que nem nos deixa grande tempo para reflexões, ou para pensar simplesmente no que se passa a cada dia. (isto foi o que eu entendi da ideia, atendendo a que a conversa se passou em catalão!Mas devia ser mais ou menos isto!:)
E assim chego ao título do mail. Escrevo este post num dos cafés do aeroporto T4 em Madrid (sim, sim, aquele cujo parque de estacionamento a ETA fez o favor de mandar pelos ares! Está tudo em pantanas!!). E porquê em Madrid se eu afinal vim para Espanha para estudar em Barcelona, é a pergunta. E a resposta começa numa tarde de Dezembro, em que concorri por e-mail para este trabalho. Comecei a trabalhar na FYVAR 4 horas, de manhã, em telemarketing, como um trabalhito de ajuda de custos e acabo a representar o mercado português na Expo-Reclam, grande feira do artigo publicitário, a comer bocadilhos entre dois sócios visitantes e a dormir 6 horas por noite num lindo hotel no centro!
E eu bem sei que não tenho tido propriamente uma vida monótona, mas agora que estou de regresso a BCN fico a pensar nestes 4 dias de ritmo diferente, de aventuras fora do habitual, de minutos recheados de coisas que nada têm a ver com o que faço habitualmente e só me dá vontade de rir pelo quase absurdo da coisa!
Madrid mostrou-me as ruas bonitas, e a aventura toda ainda deixou tempo para um jantar de amigos. E assim foi que numa noite muito fria o cansaço é superado pela curiosidade das ruas e pelas saudades de amigo e uma portuguesa a viver em Barcelona se encontra com um angolano a viver em Madrid e juntos jantam numa engraçada tasca-fixe da capital, tipicamente galega!!!!!
E eu fico a pensar que me posso queixar de um trilião de coisas, menos de monotonia ou de falta de histórias para contar!:)
Bem dizia alguém, numa conversa que ouvi à espera de um qualquer transporte público, que nos dias de hoje já não havia filósofos como os clássicos porque o ritmo de vida é tão, tão acelerado e exigente que nem nos deixa grande tempo para reflexões, ou para pensar simplesmente no que se passa a cada dia. (isto foi o que eu entendi da ideia, atendendo a que a conversa se passou em catalão!Mas devia ser mais ou menos isto!:)
E assim chego ao título do mail. Escrevo este post num dos cafés do aeroporto T4 em Madrid (sim, sim, aquele cujo parque de estacionamento a ETA fez o favor de mandar pelos ares! Está tudo em pantanas!!). E porquê em Madrid se eu afinal vim para Espanha para estudar em Barcelona, é a pergunta. E a resposta começa numa tarde de Dezembro, em que concorri por e-mail para este trabalho. Comecei a trabalhar na FYVAR 4 horas, de manhã, em telemarketing, como um trabalhito de ajuda de custos e acabo a representar o mercado português na Expo-Reclam, grande feira do artigo publicitário, a comer bocadilhos entre dois sócios visitantes e a dormir 6 horas por noite num lindo hotel no centro!
E eu bem sei que não tenho tido propriamente uma vida monótona, mas agora que estou de regresso a BCN fico a pensar nestes 4 dias de ritmo diferente, de aventuras fora do habitual, de minutos recheados de coisas que nada têm a ver com o que faço habitualmente e só me dá vontade de rir pelo quase absurdo da coisa!
Madrid mostrou-me as ruas bonitas, e a aventura toda ainda deixou tempo para um jantar de amigos. E assim foi que numa noite muito fria o cansaço é superado pela curiosidade das ruas e pelas saudades de amigo e uma portuguesa a viver em Barcelona se encontra com um angolano a viver em Madrid e juntos jantam numa engraçada tasca-fixe da capital, tipicamente galega!!!!!
E eu fico a pensar que me posso queixar de um trilião de coisas, menos de monotonia ou de falta de histórias para contar!:)
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