Este vai ser para sempre um ano memorável.
Porque eu aprendo em cada esquina que não são só as coisas boazinha e coloridas como a Floribela que marcam a vida. Não são só os casamentos, as festas, as viagens e as ilusões que deixam marca.
Os funerais, as viagens esgotantes com lágrimas que escorrem, as horas de discussões, o cansaço marcado em olheiras que se arrastam e arrastam e arrastam,... também marcam. Também fazem com que um ano seja digno de recordar.
E nestes primeiros 3 meses do ano, eu faço um balanço de intensidade.
Passaram já 2 meses e meio desde que esta aventura catalã começou. E dela tudo até agora fez parte. Inclusive o tudo que se passou no meu país, o do lado. Inclusive as saídas de cá. É a vida que não pára.
Comecei por dizer "OLÀ!!" a tudo! Às pesssoas novas, à nova casa, aos novos hábitos, aos novos sítios, aos novos costumes e rotinas, ao novo trabalho, à forma de sentir,... E andava cansada mas tão entusiasmada que rebolava de contente, que inundava tudo com a força que me fazia avançar com o vento.
E agora sinto-me numa nova etapa. A do "ADEUS"... Disse adeus à avó. Disse adeus, por uns tempos, a Portugal, aonde me desloquei demasiadas e angustiadas vezes seguidas. Digo adeus por uns tempos ao meu Projecto e deixo-o entregue à mãe adoptiva. Digo adeus a algumas coisas para que consiga sobreviver a continuar a dizer "olá, como vai?".
Já não busco um "olá" de quem vê tudo de novo, mas preciso deste "olá, como vai", daqueles que usamos quando já conhecemos algo mas lhe queremos bem. O Olá familiar de quem aproveita algo.
Por isso hoje, passados dois meses, alguns dias, uma morte e 5 viagens a Portugal, eu quero ficar aqui, na Calle Manigua, na Barcelona que me acolhe, acolhida ao longe pelas minhas forças, as minhas pessoas e a minha Pessoa. Quietinha, a ver se as forças vêm e me rodeiam e me deixam outra vez sorrir e sentir-me deslumbrada.
A falta de força irrita-me!
E ontem saí do avião, daquela que quero que seja a ultima dos próximos tempos (um mês! Pelo menos um mês sossegada, sem ter de estar sempre com a mala semi-feita e sem poder comprar bilhetes para os espectáculos que quero ver por não saber se estou ou não cá!). E quando voava por cima da praia de BCN deu-me vontade de sol, de ar na cara e gente bonita na rua.
E por isso, cheguei a casa, comi cereais e peguei nos patins e na música. E foi com o cabelo atado com uma fita e os patins em linha a deslizarem por mim que relembrei onde estava.
Estou em Barcelona, onde quero, como quero. Na cidade que eu ainda vejo com muito para me dar.
E por isso, vou tentar deixar a falta de força por aí e agarrar de novo o vento que me dá na cara quando patino. E no ar que me ficar para trás deixo os tudos dos ultimos tempos.
Agora desligo o computador e dirigo-me ao meu Master. Aquele que me trouxe cá. E nele vou buscar conhecimento e energia.
Em dois meses e meiocabem tantas coisas.....
Monday, March 12, 2007
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