Esta semana foi dia de namorados. E pela rua era tudo flores, bombons e corações.
E nesse dia, ao caminhar, ocorreu-me que as principais coisas (e pessoas) da minha vida passam, de forma intensa, da paixão ao amor sem perderem da primeira, a intensidade, o brilho, o sentido esfusiante!
Assim é com a minha pessoa, com quem à distância cultivo a melhor das harmonias através dos nossos espontâneos compromissos epistolares (aos quais sou fervorosamente devota e entregue!). Assim é com o meu trabalho, que me arrebata sem que eu saiba como, mesmo nos dias de menos vontade. E assim é com a cidade que escolhi para, neste momento, viver os 26 anos e a minha energia.
Os dias de cão continuam a acontecer, claro. E não seria normal se tudo fossem flores. Mas o ar que eu respiro em certos momentos dá-me uma força tão grande, uma sensação de tudo poder tão preenchedora, que às vezes parece que me vai ser uma sensação qualquer em forma de espirro!
A verdade é que há momentos especiais. Como o momento em que saio da dança e passeio de patins à beira mar, às 9 da noite, a ver todas as luzes da cidade e com o cheiro a harmonia, a tranquilidade percorrer-me o corpo...
Como o momento em que depois de um dia fechada em casa a preparar ciber group (uma parte bastante trabalhosa do master), saio para a rua com vontade de "meter Barcelona pelos olhos, pelos ouvidos, pelo nariz....". E saio de casa e caminho. Com a música nos ouvidos (:)) a percorrer caminhos que não conheço, perto de casa, e a dar por mim a cantar alto um refrão que me entusiasma, de tão feliz que me sinto! E sigo por uma e outra rua. E apanho um metro só pelo prazer de ver onde me leva aquela linha. E exploro a zona quando saio do metro e volto a casa com muito sono e mais coisas na cabeça. E são onze e meia da noite e eu venho com mais Barcelona dentro.
E há tanta doçura em certos pormenores que me deixa as entranhas em turbilhão: o menino de 10 anos do super mercado que me ajuda com as compras e me compõe o saco roto; a velhinha que me pergunta onde é a "merceria" à porta da própria merceria e a quem eu, solicitamente, levo ao mini-mercado do outro lado da rua, por confundir merceria (loja de meias e coisas que tais) com mercearia (Português!!!!!)!; a senhora da loja dos vegetais que me chama sempre "cariño" e os seu ajudante brasileiro que fala espanhol com sotaque cantante....
Tudo me maravilha, confesso.
Maravilha-me a calma quando o metro, apinhado e à hora de almoço, encrava numa estação e, dentro, as pessoas simplesmente esperam. Não se levantam, não praguejam, não prometem pancada ao chefe do metro!Esperam. Quando muito levantam a cabeça do jornal gratuito ou do livro ou páram de mexer no piercing...
Amo esta cidade pelos cantores de estação de metro, que cantam Jaques Brell ou Xutos e me fazem lançar sorrisos para "o fundo da rua"...
E mesmo quando tenho que esperar pelas 5 da tarde para ir ao supermercado ou à livraria, a maldizer o raio de horários estranhos que a malta aqui tem, me dá vontade de rir por imaginar tudo a despertar estremunhado da siesta!
A vida aqui é bonita. Não que não tenha histórias de assaltos, bicicletas sem rodas e assentos em cada esquina, motoristas de taxi enganadores, cafés ao preço de ouro,..... Mas é bonita, pronto! Ou pelo menos para já é assim que eu a sinto!
Já não é só paixão, é amor também. Como nas coisas mesmo importantes da minha vida!:)
Saturday, February 17, 2007
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1 comment:
E é doçura que também transmites quando escreves...sinto a tua falta sócia...mas fico contente por te saber tão serena e feliz.
Muitas "coisas doces"!!!
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