A energia é uma coisa.... Imensa.
A energia para acordar cada manhã e seguir um rumo.
Para fazer as pequenas coisas com um sentido.
Para dar sentido ao rumo.
A inércia e o senso comum dos dias é suficiente para fazer quase tudo. Mas quando o que se deseja é a intensidade do quase tudo, então aí é necessária a energia.
E essa energia (ou pica, ou pedalada, ou speed, ou.....) vem dos mais inopinados lugares, das mais inesperadas situações, do menos esperado dos seres.
E nos dias que me passam há várias fontes e é delas que falo nesta manhã de chuva mas quente cá dentro de casa.
Falo dos pasteis que a doce Charo, que "só" limpa o espaço da nossa empresa nos levou ontem para agradecer que a tratássemos como amiga mesmo sendo ela de outro país (é peruana e deliciosamente pequenina, com uns olhos mais vivos que o fogo). E que nos levou a querê-la mais e mais por sentirmos nela a cumplicidade e essa energia que nos torna diferentes os martes y jueves que vai lá trabalhar.
Falo de um chá surpreendentemente aromático que descubro entre as muitas folhas que tenho em casa e me faz sentar à mesa do pequeno almoço ou com amigos, ao cheiro da erva Luísa que amacia as entranhas.
Falo da loja de livros de fotografia e comics da Milá i Fontanals que me interrompe o frio que levo pelo desagasalho típico de días de primavera que começam com sol. E que me faz entrar nas páginas que folheio sem poder parar e nos quadros que vejo, expostos na sala de trás, e nas mil fotografias de um novo autor que conheci e me transporta para outros universos visuais.
Falo de alguns contactos com Couch Surfers que me surpreendem com feedbacks giríssimos ou com pedidos de indicações surrealistas.
Falo, claro!, dos sábios Mari y Manolo, com quem me sento a conversar no vão da Caixa Sabadell, protegidos os três da chuva que começou, mas esquecidos dela pelos olhos grandes que nos unem e aquecidos pelas palavras e troca de experiências em que embalamos aquele tempo detido no tempo.
E sinto que aquela hora gelada, com o rabo quadrado e as pontas dos dedos frias valem mais do que a hora passada no Hector, em que se supõe que esteja a contribuir para o meu desenvolvimento.
Com a Mari e o Manolo sento-me num limbo onde as coisas importantes são as importantes. Em que o sorriso não é social, as palavras fogem ao conveniente e o afastamento do caos é admirável.
E chego a casa empapada da chuva que os separa da estação do metro onde tive que ir, cheia de frio, e debaixo do meu quente banho penso na força (ou energia, que é o mote) de gente que sabe que quer viver.
Falo do poder de uma mensagem da companheira de casa quando é tarde e eu ainda não cheguei, só a perguntar se estou bem.
E das mensagens dos amigos. Dos mails, dos comentários, das levantadelas de ânimo quando o ânimo parece querer descansar.
E dos sabonetes enviados pelo correio verde.
E das exigências de frases inspiradores e Red-Bullestícas do gmail.
E das reclamações de amigos com quem estou triste.
Do alto da complicação que me define sempre achei que o mais simples é o melhor (será por ter ouvido muita Tina quando era -mais - pequena!). E neste feriado chuvoso só me apetece que o simples aconteça.
Que os encontros se dêm porque sim. Que a cumplicidade se encontre por aí. Que a espontaneidade dê lugar a tudo. E que a improvisação traga e leve uma boa aventura.
Friday, May 1, 2009
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