Prezo aos 5 sentidos mais que a muita coisa.
Prescindia de muito para poder manter vivos estes veículos de beleza e vivência.
Amo a visão que me passa as cores, o brilho do calor, as expresões alheias. O mar com 100 cores, os fundos e formas infinitos, as composições improváveis.
Deslumbram-me as notas de música que me surpreendem no metro, nos passeios, na minha casa, quando chego e está já montado o ambiente. O som de vozes. O ruído de gente. A música, essa companheira capaz de me mudar os humores sem mais.
Aprecio infinitamente o tacto. Por isso toco para entender. Toco as paredes das velhas casas e igrejas sempre que viajo. Toco as areias diferentes das praias diferentes por onde passo.
E os tecidos de roupa que vejo e que tenho. E as peles das pessoas de quem gosto ou com quem danço ou com quem me dou.
O sabor vem da mão do prazer pela comida. E provar é um prazer. Descobrir texturas com o paladar e deixar-me impressionar pelas misturas e pela simplicidade do que como ou bebo ou bochecho. Acho que até do elixir que uso, especial para ortodôncia, me vai deixar memória quando for substituído pelo comum.
E o cheiros deslumbram-me e guiam-me. Do alto da minha rinite alérgica, misturada com a asma de primavera, deixo-me guiar pelo cheiro a tabaco sentido desde a outra ponta da casa até à varanda de porta fechada. Melhor que um perdigueiro. Da mesma forma, escolho os corpos que me fazem aproximar e as lojas que me fazem entrar e o chá que quero comprar.
Vivo mergulhada nesta orgia de sentidos, neste imenso estimular que me faz sentir viva.
Enalteço os sentidos que me comunicam (com) o mundo.
Sunday, April 5, 2009
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