Thursday, December 4, 2008

Lufadas de ar frio, fresco, bom...

Estou sentada na secretária bem montada, da casa pintada e que pouco a pouco vai sendo arrumada.
Há novo ar.
Há uma amiga aqui a morar. Há amigos a virem, a partilharem chás, conversas, cozinhados e pestiscos à volta do fogão.
Há a sensação de voltar A CASA ao fim do dia e de sair DE CASA pela manhã.
O espaço amplia-se e torna-se lar pouco a pouco.
No ultimo mês vivemos entre tinta branca espalhada um pouco por todo lado, entre móveis que se movem, se dão, se vendem, se levam à rua em dias de los trastos e contra os quais praguejamos.
No ultim mês mudei números de conta, contratos de telefone e água e luz, e até o ferro de passar e a cafeteira eléctrica.
Muita coisa - tanta coisa - que muda.
Entretanto de trabalho vai mais de mês e meio. Continua a paixão, o interesse, o entusiasmo e a sensação de "oh.... Já é sexta!..." (e isto que adoro os fins de semana!). Motiva-me, move-me, sinto-me encaixada.
E depois de um dia de trabalho, a volta em jeito de passeio pelo bairro, cada dia por uma ruela diferente, para ver as luzes de natal, para ver a gente a mover-se, para sentir o agito de fim de dia cumprido, para ir comprar peixe fresco para um jantar são...
À volta há a casa onde às vezes se discute mesmo entre amigos, mas em que na manhã seguinte se decide algo importante com a fórmula séria do "papel, tesoura e pedra" entre amigas na mesma. À casa onde vêm ter várias pessoas, várias vidas. Onde se acolhem amigos tristonhos e onde me deixo vir recolher em dias iguais. À casa fria que aquece com as noitadas de master, de manta vermelha nas pernas e música nos ouvidos.
Entre a tanta coisa dos últimos tempos ganhei um armário no WC para as coisas pessoais. Ganhei o bom cheirinho que pla manhã a Inés deixa com a colónia. Ganhei serenidade. Ganhei a confirmação de que é com a calma que tudo se resolve melhor (mesmo que continue a não pô-lo sempre em práctica). Ganhei mais paz, dentro do turbelinho de entra-e-sai e coisas pessoais em pilhas que nos pautou os dias.
Cada dia continua a ser bom estar, viver, respirar, deixar-me surpreender por um passeio ao supermercado que acaba num bar com uma cerveja na mão e boa conversa no ar.
Continuo a fazer da ida ao Mercadona uma aventura, sim. Não há volta, nao há maneira de ver simples as coisas simples. Continua a haver qualquer coisa na manhã quando saio de casa. Continuo a descobrir novos personagens pelo caminho ao trabalho e a rir-me sozinha quando agarro uma Bicing sem pedal e vou a dar ao pé esquerdo com toda a força enquanto agarro com a ponta da bota o toco do lado direito que se me escapa nas descidas dos passeios e me faz quase atropelar o cão pequeno das 8:56.
Continuo a agarrar o ADN ou o METRO distribuídos à porta do metro e a sentir-me encaixada num ritmo que faz sentido.
E continuo com aventuras na manga decididas em momentos e para pôr em práctica em dias.
Depois de amanhã uma mais e as ganas movem.
Gosto dos dias de vivência que representam lufadas de ar frio, fresco, bom...

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