Amo cada dia.
Amo as gentes por quem passo, as cores das casas, o cheiro da manhã.
Gosto das pessoas por quem passo ao vir trabalhar e que me recordam se estou atrasada ou no tempo correcto. A família de mãe e dois filhos de bicicleta no adro da igreja da Virreina; a "aloucada" magrinha que fuma vagarosamente o cigarro ao sabor dos vagarosos passos; o filho pequeno e pai muito careca e bem vestido no início da rua; a mãe com os seus dois filhos e a boneca de fita preta na cabeça ao colo de um deles.
Do café da esquina a espreguiçar a noite passada e da loja de plantas a florescer com os vasos cá fora pouco a pouco.
Faz frio nestas manhãs. E ao fim da tarde, quando saio do escritório e salto para a rua com uma baforada de ar que faz fuminho. E vou a respirar fundo como um dragão pela rua.
Contente por existir. Pelas pernas que me levam a casa ou a um bar onde só, ou acompanhada por um encontro de caminho, tomo chás ou cafés (ou o mais barato que há, porque por muita magia que exista, os preços e os salários não se compadecem...)
Gosto da felicidade que me traz a liberdade cada manhã. E de ver gente bonita nas ruas. E de me deliciar a comer uma salada feita com o primeiro que encontro, à noitinha.
Gosto de vir trabalhar e ter pena de que chegue o fim da semana laboral, ainda que disfrute como louca de 48 de fim de semana só para mim (e para o master e afins).
Gosto de ter vontade de entrar no gabinete da minha companheira de trabalho a dançar na ponta das botas porque apeteceu. E fazê-lo.
Acho piada a ser a freaky que passa a jornada laboral com um auricular azul só de um lado a pender da orelha, perdida na música que apazigua ou energiza a produção, mas que está sempre.
Gosto de dar o tudo por tudo em tudo o que faço e disfrutar com isso, como de um sumo de laranja ao qual se espreme bem o sumo e se traz o sabor da polpa bem agarrado às papilas gustativas.
Gosto de ser corrigida pelo meu coordenador e pela jovem estagiária. E de crescer a cada dia que passa e tornar-me mais.
Gosto do prazer da existência quando as coisas correm bem.
(Já dizia um amigo polaco, profissional das Ciências Políticas: as inquietudes sobre a natureza vêm-nos quando o básico está assumido e nos deixa tempo e espaço para o resto....) Siga a tranquilidade no básico, pois!
Friday, November 21, 2008
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