Thursday, December 11, 2008

O prazer de levar bem a vida...
















Esta foto foi num dia em que celebrava estar viva e bem. Podia ser qualquer um, e até podia ter escolhido um de melhor humor. Mas nesse, assinalava-se a efeméride da pasagem do tempo cronológico pelo meu corpo menina-mulher.
E com uma noisette numa mão e o pescoço quentinho, senti sem perceber o tempo a passar.
Em dias de balanço obrigatório posso bem perder-me. Perde-se a perspectiva de ver de longe e melgulhada em mim vejo um umbigo grande e pouco mais.
De férias, de viagem, com a mãe -que quer se queira ou não, não é a companhia de todos os dias - e fora do trabalho e da casinha e dos amigos, parece que os contextos se misturam e o umbigo se faz maior.
Por isso hoje, já mergulhada no dia a dia "normal", posso voltar a ver-me melhor. Nao tenho a noisette na mão, é certo. Substituo-a pelo "cortado corto de café" do café ao lado do trabalho. mas tive a Inés sentada na minha cama com um chá acabado de fazer a partilhar coisas do dia, continuando a conversa iniciada no WC entre escovadelas de dentes e retirada das lentes de contacto! Não como nouvelle cuisine sofisticada, mas delicio-me com a massa de peixe que improviso quando chego a casa tarde e o frigorífico apela ao sentimento do vazio.
Não passos os dias só preocupada a ver se decido a rua movimentada da direita ou a avenida luminosa da esquerda, mas sim com o projecto a defender a manhã seguinte numa reunião importante.
A verdade? Não me importo nada de nada com a troca. Acho que precisamente uma das coisas que mais gosto é este sair para voltar a entrar. É o ir fora ganhar perspectiva e agarrar o de sempre com (ainda) mais garra.
Por isso hoje volto a encantar-me com o meu trabalho, o passeio de sempre até lá, o frio de sempre até cá, os cozinhados com barriga a dar horas e a partilha da sala com companheiros.
Em particular no dia de hoje, fica a paixão pelo que faço laboralmente. Fica o prazer intenso de ficar até muito depois da hora para preparar um projecto importante, com música aloucada colada aos ouvidos, que me permite concentrar-me e criar, criar, criar,.... (Sem parar na cadeira, isso também é certo! Quem inventou o jazz devia ter uma medalha!).
Fica a energia e a satisfação e a realização.... E a genica e o ânimo e o desafio e o empenho. Fica o gosto e o prazer. Tudo reirado daquelas horas em que estou numa empresa em que encaixo, em que conto, em que faço diferença, em que tenho lugar.
A cada dia me dou conta de que o trabalho me faz BEM. Porque cresço, desenvolvo, puxo e avanço. E tenho oportunidade de fazer coisas que acho giras e pôr em prática muitas partes da Edite.

Tenho 28 anos. Caneco, que só agora é que o disse e voz alta e por escrito e ressoou na cabeça o eco... "vinte e oito,.... e oito,.... oito,..... to,.... to....."

De marcas físicas tenho a ruga de rir e a branca que vi há dois meses e de que não voltei a ter notícias.
Cresço bem. Envelheço pouco, ainda.
Mas sobretudo, mais ou menos bem disposta, mais ou menos feliz a 100%, cresço bem. E gosto.

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