Sunday, January 24, 2010

O diafragma.

Ser feliz deve ser isto.

Sentir os pés quentes depois de limpar a cozinha a fundo enquanto canto a todo pulmão, e dar espaço para o companheiro de casa-amigo fazer um café cheiroso e interromper a barrela para dançar um Pata-Pata na sala, com a companheira-amiga. E voltar aos trapos e deixar a cozinha a brilhar.

Ser feliz deve ser isto.

Sair pela manhã para ir à biblioteca entregar livros, num Domingo, e ver tante gente na praça, e descobrir novos cafés acolhedores com personagens que bem podiam povoar uma fantasia acordada.

Ser feliz deve ser assim.

Ter estímulo em tantos âmbitos e de tantas formas. Ser desafiada a escrever um conto que um amigo ilustrará. Ser contactada por gente através de ex-professores. Trabalhar num Domingo sem me queixar. Ter tempo para investigar coisas de que se gosta. Concorrer a um Laboratório que nos apaixona do outro lado da Europa. Pensar nas pessoas de quem se gosta e que andam por aí espalhadas pelo mundo.

Ser feliz deve ser assim.

Cheirar a limpo à volta, ter coisas boas para comer, ter uma janela grande por onde olhar ao pequeno-almoço e um frasco de bolas de sabão para quando apetece, no parapeito da janela.
Estar sentado numa cadeira cómoda com os pés esticados depois de se ter cumprido as tarefas de fim de semana e preparado para os requisitos da semana.

Ser feliz tem este não sei quê de tranquilidade, que se sabe que não dura sempre nem é constante, mas que enquanto está dá vontade de romronar...
Quando se sente que tudo o que se necessita está e se sente.
Quando se sente que não há nada que falte seja imprescindível.
Quando lutar por mais é só pelo desafio de continuar a evoluir, mas não por necessidade de sobreviver.

Sei que os amanhãs trazem nuvens, e que delas saio e entro como em círculos. Porque assim é o mundo dinâmico onde me movo e me encaixo e que, no fim de contas, procuro.
Mas sei que hoje as nuvens são mais brancas que cinza, mais fofas que carregadas.
E têm um não sei quê de "Céu de Simpsons" que me fazem sentir dentro de um desenho animado divertido.
Com personagens de olhos grandes e pernas pequenas em que se pode rir logo pela manhã até doer o diafragma.
E rir até o diafragma é das melhores coisas que conheço!!
É orgasmicamente bom e sinceramente saudável! E sabe bem e faz apetecer mais.

Por isso neste oásis de paz, hoje, aqui e agora, páro para pensar na maravilha que é estar vivo, mexer toda e poder rir até que se converta em gargalhada e faça doer o diafragma!

1 comment:

Jane & Cia said...

Rir para a vida... como quem a come. Que grande golfada de ar que se sente nos teus dias... Ser feliz é com certeza assim!