Thursday, January 21, 2010

Ando sem saber bem o que escrever.
As sensações acumulam-se dentro. Sao mil as sensações, as experências do dia-a-dia. As ideias, as sensações, os planos, as introspecções.
Não há dia em que não acorde ou adormeça a pensar no "E que mais?..."

Em todo este burburinho há algo que fica.

Depois das experiências dos ultimos meses, que implicaram tanto contacto com tanta gente, com tanto mundo "fora", começou a fazer-se dificil a reacomodação cá. Era impossível não pensar no que está para lá das fronteiras da cómoda Barcelona. Era impossível não pensar que o corpo e a mente pedem mais.
Por isso foi crescendo o desejo e o plano de lançar uma corda para fora.
Concursos, pesquisa de lugares, de instituições, de projectos.
Contactos, comunicações, oportunidades procuradas.
Um pé fora, pelo menos nas dendrites.

Mas nesta seguda-feira, quando subia o Passeig de Gracia a caminho da primeira aula oficial de nivel intermedio 1-2 de Tango, entrei por casualidade na Casa Ásia. É um lugar que me cativa brutalmente, ao qual nunca consigo resistir. Nas paredes, nas escadas, nos candeeiros deste lugar reside qualquer coisa que se me escapa à explicação.
E foi aí que de repente me entrou a sensação forte de que não, não está tudo visto nesta Barcelona.
Nunca requisitei os DVD's que eles disponibilizam. Nunca tomei um chá na cafeteria acolhedora nem passei uma parte debaixo dos candeeiros de estudo com riscos negros.
E de repente veio-me toda a imensidão de coisas que nunca provei, que não conheço, que não vivi cá.
Veio a possibilidade, o desconhecido, a abertura.

Foi um misto de coisas: a ausência do projecto certo para partir e a existência de mais coisas para ficar.
E decidi acalmar o ímpeto voador até que a oportunidade se me apresente clara.
E até que Barcelona se me entre nos poros de uma forma mais funda, com as novas possibilidades que lhe começo a descobrir.

Reapaixonei-me?
Voltei a cara noutra direcção? Vi o que sempre tinha estado?
Sei que há coisas por viver cá, neste novo Paris, no Paris do princípio do século XXI.
Ando a ler "Paris era uma festa", do Hemingway e penso que as descrições podiam bem ser de cá. A vida dos cafés, as gentes que passam, os cheiros, as vivências intrínsecas aos lugares...
Pelos visto, apetece-me viver este "novo Paris".....

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