Wednesday, September 30, 2009

Passagens por dentro

Esta viagem de 10 dias foi enorme, soube enorme.
Foram 10 dias viajados intensamente.
Quando saí de Barcelona estava já no limite extremo do cansaço de um grande projecto de trabalho, com situações acumuladas e um desânimo que me fazia não reconhecer-me. Chama-se necessidade de férias, provavelmente. Ou é só o "3 meses desde a última viagem" a chegar.
A verdade é que desde há mais de um ano que me dou conta de que de 3 em 3 meses o meu corpo pede sair. Começo a andar mais ranhosa, a ruminar adrenalina mal gerida e a querer mais paisagens nos olhos.
E pego num avião e vou por aí. Para voltar, sempre, sempre, com mais energia e frescura.

Esta experiência foi muito particular. Não desapareci, como sempre, durante os 5 dias habitais. Dobrei o tempo e acumulei experiência.... E países.
Vou contar as sensações.

Dia 1 (Quarta a quinta)- Uma recepção às escondidinhas no aeroporto, braços quentes, abraço apertado.Um novo amanhecer a caminho de Evia. A entrada na casa de cheiro distinto, com móveis distintos, com sentido familiar. Vela de baunilha, luz baixa. Início de um ninho.
Acordar e dizer "yassass". Sorrir e abraçar.
A toalha acabou por não servir para a praia,mas sim para proteger da chuva e abrigar até à primeira esplanada na Paralia. Chuva a bater nas "crazy waters" que giravam sem que eu soubesse para que lado.
Horas mais tarde, uma conversa de café em greco-ingles-portugues-qualquer coisa. Cada uma com um dicionário e muito não verbal, a contarem-se histórias. A querida Vula a tentar e a Edite a sorrir e a apreder uma e mais outra palavra. O cébrebro a adaptar-se ao inglês permanente e ao grego por todo o lado.
À noite, um passeio por cafés hiper fashion agora vazios de verão.
E os dias seguiram numa cidade que não me diz muito, com vivências que dizem tudo.
Conhecer gente com quem se anda de baloiço e se vai de mota a escorregar na parte de trás.
Rir à gargalhada com recém-conhecidos. provar Uzzo e racomelo y tudo de alcoólico que o grupo ia bebendo.
Despertar em pequenas casinhas de contos de fadas ou filmes acolhedores e fazer pic-nics para pequeno-almoçar.
Horas de conversa com os pés no mar agitado, ao lado do barco Omar e passeio pelas lojas de moda da cidade.
Fiquei doente e fui mimada, ao perto e ao longe. E curou-se. (Evitando o pânico de ter que viajar gripada com esta "febre da gripe A" por todo lado!)
Visitei um amigo em Atenas que me fez, uma vez mais, sentir-me em casa nos passeios plos bairros e jardins e nas conversas imapráveis e nos abraços sentidos de despedida.
Quando já conseguia ler as placas (das lojas, carros, tabuletas e outras coisas afins que irritam aos locias:) em helinica, apanhei um avião e voei até Roma. Numa companhia grega que oferece coisas boas para comer e beber nas 2,5 horas que dura o voo.
Chegada a Roma, com 3 horas de sono e uma amiga incontactável, senti-me perdida. Outra língua que não falo, gente demaisado bem vestida e umas horas matutinas insuportavelmente frescas.
Mas o encontro com a Valentina lá se deu! 2 anos depois e mais tacões no seu caso, lá me veio buscar no seu Fiat que enfiou à frente de metade de Roma e nos espaços mais inopinados de estacionamento na cidade. Sobrevivemos e depois de imprimir o meu fantástico poster para o Congresso (explicando em espanhol, italiano, inglês e até português como o queria!), saímos a conversar até ao Coliseo!
Nada novo. Aborrecem-nos e continuamos a rota, mais interessadas nas conversas e nos pés que doíam que nos aspectos da cidade que já conhecíamos.
Muitas voltas depois, muita roda de mala arrastada pela cidade, muito "ai que já não posso mais com o cansaço", sentei-me, por fim, ao lado de um velhinho no comboio para Pisa.
Já sem saber bem o que sentir, pensar, fazer. O cansaço a pesar, a gripe a ameaçar, o corpo partido de tanta hora de avião, comboio, passeios por cidades enormes...
A chegada a Pisa também escondia aventuras. As 2 horas de antecipação impediram o encontro directo com o amigo que esperaria e que já não via há 7 anos.
Na busca de sítio para ficar, ouço vozes lusas e ao olhar, dou de caras com 3 enfermeiras portuguesas, também para o mesmo congresso, que invadia a pequena cidade, e com quem acabei por passar a espera.
Entre histórias, capuccinos e passeios, o tempo passou, o Piero chegou.
O abraço era de saudades, de contente por rever e por cansaço e pedido de salvamento!
Lá chegámos à super casa, já a Lucca, depois de mais meia hora de carro (italiano, minha nossa!!) e o tratamento resultou: um prato de pasta cozinhado à conversa das novidades dos ultimos anos e um banho de imersão com água até cima. Remédio do amigo que se revelou eficaz!
Ao dia seguinte já me sentia de novo pronta para encarnar outro personagem.
Não a viajeira de malas para todo o lado, não a jovem de jeans e despenteada, não a arranjadinha dos passeios aos cafés fixe. Desta vez a psicóloga da expressão, com o seu poster negro na mão.
E o dia foi de congresso. Ambiantação e apresentação cheia de energia, paixão e ganas! Defender e explicar as paixões é das coisas com mais piada! Sempre foi!
E entre contactos vários passou o dia de partilha académica e começou a noite de passeio por Pisa para encontrar um bar.
Acabamos, eu e o investigador italiano com cara de aluado, numa esplanada de boa cerveja e panino, a contar-me como pediu a namorada em casamento há semanas!
Juntou-se a nós a Sylvia, metade holandesa, metade siciliana e fomo-nos à dança à qual o Congresso convidava.
Nada mal. Mas sobretudo, boa onda que nos acompanhava numa noite quente de muita gargalhada internacional e despretensão num contexto algo elitista.
O dia seguinte começou com um bom capuccino e focaccia em Lucca dentro, com o Piero e a cadela Maya. relaxadamente a descansar.

E o resto virá em outras letras, que me aborreço de descrever tudo agora.
Mas tinha que o fazer, para dar ordem à cabeça e resgistar estas passagens e mudanças subitas.
to be continued...

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