Monday, September 7, 2009

Música de fora e música de dentro

No ritmo da cidade os estímulos são avassaladoramente capazes.
Levam-nos de lado a lado, de corredor sonoro em corredor sonoro. Como num carreiro com mil possibilidades a cada cruzamento.
Os sentidos são chamados a cada instante e o ouvido permeabiliza a entrada desse mundo de fora, por muito que se tente ir no mundo de dentro.
Então chega o momento em que outra música é chamada. A que se leva nos MP3 por todo o lado.
E somos milhares (quase todos), os que deslizamos pela cidade sonora com fios a sair dos ouvidos.
Levamos dentro a música que nos permite estar connosco.
Leva-se a música que se conhece, que se quer conhecer ou de que já não nos lembrávamos. Um novo álbum, um curso de idiomas, uma colectânea de amigos...
Leva-se a música que pára a inundação externa, como forma de encontrar o próprio ritmo.
O ritmo sincopado deve perder-se nesta baralhação. O coração deve bater ao som de Pop, Jazz ou R&B. Talvez deslizar ao som de Bach ou de alguma das estações do Vivaldi.
Mas já não creio que tenha ritmo próprio. Porque o corpo reage nesta mistura de adrenalina vital que nos mostra, avisa, alerta, abana no mundo de fora.
E assim vamos por aí, a cada manhã de trabalho, a cada fim de semana de desporto a cada passeio de relaxe, ao som que nos impõem os fios que nos saem dos ouvidos.
E nessas ondas deslizamos até deixarmos as conexões neronais atordoadas, num misto de ritmo e anestesia ao exterior.
Assim se move...

Neste fervor musical, penso no que me move os pasos. Eu levo, sobretudo, pedaços de gente que me passa e passou: A Minuit Gaulle da C., a polaca Anita Lipnicka do Rafal, o grego Pavlo Pavlivis do Lambros, algo da Biblioteca da Póvoa mostrado pelo Daniel, mundos sonoros da mãe, uma ou outra coisa em espanhol do David Garcia, da Núria, da Inés. Levo música do mundo de todos os workshops e danças que frequentei. levo música para dançar da Esther e algo em hebraico, da Ruth. Coisas que aprendi em blogs. Coisas das gentes que se interessam por música, como a Ana Kawaii, o Fernando, o Victor Pinto, o vizinho Roger, o companheiro basco Aitor... Levo um curso rápido de italiano, música que me leva a filmes que vi e gostei e mais coisas incategorizáveis.

E deste modo vamos, surdos da vida, cheios de mundo sonoro.

1 comment:

ana said...

surdos da vida. disseste bem.