Hoje ao fim da tarde já tive frio quando me sentei nos jardins da Olokuti com a Marta.
Já tenho uma manta extra colorida aos pés da cama.
E ontem fui correr.
São mudanças. São mudanças no ar.
O sol leve vai ficando para trás de nuvens e mais perto de outros hemisférios e neste, entretanto, provocam-se mais arrepios.
Tenho um bocadinho de frio.
É um frio que polvilha os momentos.
Deste frio que se sente quando se ouve música triste. (Para mim a música às vezes é "boamente triste").
Hoje decidimos na empresa que não a íamos deixar morrer.
Já há meses que lhe vamos insuflando ar novo pela boca, festejando cada notícia, cada projecto ganho, cada visita conseguida, cada felicitação de clientes cativados.
Já meses que vamos tendo paciência com os dias em que os salários recheiam a conta.
Já há meses que vamos tendo paciência para ouvir que parecemos bem fixes mas que....
Paciência, esforço, "aguante", energia, ideias, luta, ânimo, positividade, confiança, coesão, sentido de equipa, adaptação, criatividade....
Fomos pondo tudo na mesa. Uma coisa detrás da outra, sempre que foi sendo necessário.
Com queixa pela mistura, claro:) Mas fomos.
E hoje decidimos que para não matar há que cortar.
E decidimos que uma mudança mais se avizinha. Prescinde-se do espaço físico do nosso centro de criação. Saímos do escritório e trabalharemos a partir de casa.
A verdade é que não sei bem como estou.
Por um lado, com pouca vontade de dar o braço a torcer e queixar-me, porque acredito que a luta segue e o projecto vale.
Por outro, com uma vontade estúpida de me deitar e esperar que passe. E voltar a ver as minhas ideias a sairem do escritório, a serem postas em prática, discutidas, discutidas, compradas, usadas, partilhadas.
Apetece-me que as coisas corram bem, porque o meu trabalho é partilhar.
E sinto-me sozinha diante de um computador para onde vou lançando ideias novas cada dia.
As próprias ideias começam a murchar detrás do ecrã. E eu com elas, cansada de que a fluidez não se atinja.
Eu sei que é falta de tolerância, eu sei. E talvez de paciência. E que o que preciso é de partir rapidito prá Grécia e Itália para arejar a mente do quotidiano. Eu sei.
E sei que agradeço pela equipa genial que me acompanha e por ter este tecto que me protege do frio que muda lá fora e se faz sentir dentro.
Eu sei.
E sei que a queixa não leva a nada, só a luta, só a luta.
Mas não consigo evitar este bocadinho de mim que põe cara de peixe frito quando chega a casa e pensa em tudo isto.
Fico triste, e não o posso evitar.
Amanhã já voltarei a pensar na magia que é partilhar o dia com pessoas BOAS, no engraçado que é conhecer tantos lugares em visita de empresa, no quentinho que se sentia quando a Charo nos trazia os croissants de chocolate nas manhãs em que vinha limpar, do companheirismo abertura, liberdade que se sente a cada dia, no fabuloso que é trabalhar em algo que adoro, de uma forma que defendo tanto e pela qual luto para implementar e consigo.
Amanhã já me voltarei a centrar no importante, que são todas as coisas geniais de toda a situação.
Mas hoje, hoje sinto a mudança por todo o lado e custa aguentar a inquietude de não saber o amanhã.
O mundo é dos que se adaptam.
Espero que o frio passe depressa para resistir a este cachecol que às vezes se faz fininho, fininho...
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