Se eu voasse não ia mais longe do que agora vou.
Porque eu agora uso outras asas e funcionam para transportar o que sou.
Não me sinto com amarras e não quero libertar-me de nada. Porque levo dentro a liberdade numa folha de papel.
Não sinto grilhões, nem mareios nem pressões.
Vou.
Vou ao sabor das ondas nas quais mergulho quando vou à praia. E nas gargalhadas de cumplicidade entre amigos. E no vento, quando ele sopra aqui. E nas vistas do meu telhado pequeno. E na roupa acabada de lavar. E no cabelo molhado, e nas linhas que leio, e nas paisagens que imagino que conhecerei.
Voo ao sabor do prazer que me conduz a vida.
Voo ao sabor das músicas que ouço e da água que cai quando me ducho.
Por isso voo livre neste pedaço que me foi dado a viver e que aprecio nestes finais de tarde em que finalmente há vento fresco em Barcelona.
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