Tenho os pés frios e sopa quente acabada de comer. Os pés frios são da chuva de volta do cinema, e a sopa é da tata Inés, que já está a dormir.
Sento-me à mesa, instalo Cinematic Orchestra e descanso a mente entre letras que compõem o que me vai na cabeça.
Ir ao cinema fez-me bem. Levou-me até à Índia, com muitas cores, personagens bonitos de olhos enormes e de vidas alheias cheias de detalhes que desconheço, de coisas que nunca vi.
Salto da realidade quotidiana marcada pelo desafio, pelas propostas, pelo descobrir como ir mais além e saltar as barreiras dos tempos actuais. A "crise"-bicho-papão anda à solta e o emprego "peligra". E é por isso que cada projecto se transforma em desafio, em necessidade de fazer valer o valor e dar valor ao que vale. E eu acredito que vale.
Continuo a emocionar-me com as boas ideias, com os momentos de criatividade própria ou conjunta, com as soluções encontradas por acaso, num laivo de inspiração pairante.
Mas também desejo mais.
O caminho vai mostrando coisas que gostava de fazer, projectos em que gostava de estar, imagens que gostava de descobrir.
Numa exposição sobre arquitectura, lá pela bonita CaixaForum, vi um vídeo de um estudio alemão onde me apetecia estar. Tinham cores por todo o lado e o poster da foto de conjunto de trabalhadores era um referente cromático com a representação de todas as cores através das roupas de cada trabalhador. Foto de cima, tirada num jardinzão. E eu quis ser o vermelho vivo. Ou quem sabe o azul. Ou o branco. (Rosa não:)
Ouvia-os falar, naquele vídeo de minutos projectado na parede diante do sofá-design, e quero estar ali. Ser parte daquelas reuniões criativas, daquelas paredes pintadas, daqueles projectos articulados.... Voar a criar ao som do desejo de produzir alternativas.
Mas também gostava de estar numa sala de aula quente, lá por Timor, a ensinar Psicologia com humor, energia, calor dado e recebido. Numa mistura de loucura, absorção e desafio.
Às vezes penso mesmo que a vida é demasiado apequenadinha para que eu consiga provar o tanto que quero. E que, pelas suas alternativas mutuamente exclusivas me tenha que privar, de qualquer das formas, de tanta coisa.
É ambição o que me anima? Ou sede? Ou o facto de saber que não chegarei a tudo e por isso mesmo, tentar...?
Sei que gosto do conforto, mas o desafio me chama, me atrai, me impulsiona.
Sei que quero aprender tanto que só a ideia não me cabe na cabeça.
Volto à terra, ali de cima, do mundo de divagação cibernautica.
Se calhar só mesmo a sabedoría de receber cada coisa que vai passando.
De usufruir tudo como se fosse um presente enorme, sem imediatamente querer ver o que há nas outras caixas. (é que há tantas caixas,.....)
Sei à partida que há filmes que nunca vou ver. Nem livros que vou ler. Nem viagens que vou fazer, nem músicas que vou ouvir nem pessoas que vou conhecer.
E creio que deve ser a magia de pousar bem os pés nas pegadas que se marcam que deve ter piada, e não só o nº dessas pegadas, também é certo. Mas há muita areia, e com o sol morno apetece andar pra lá a dançar e pisar tudo e tudo e tudo...
Quero escrever um blog imaginário, num contrato com uma Editora que publique on-line e me obrigue a novos capítulos cada dia.
Quero criar um projecto sobre comunicação numa Universidade por aí.
Quero participar num projecto sobre Contacto corporal numa país de língua anglo-saxónica.
Quero pertencer a um grupo de trabalho multi-disciplinar a usar a "internacional language of love" como forma de comunicação.
Quero dançar uma coisa grande, com muita cor, movimento e fluidez, vestida de forma bonita e com boa música por trás, num cenário desenhado por amigos.
Quero estar no meio de um coro gigante, a sentir como se canta a Carmina Burana desde dentro e com a amiga-música ao lado a sorrir pela covinha que fa na bochecha ao rir.
Quero saltar desde muito alto e cair protegida e com muita adrenalina mas sem partir nada.
Quero dançar no chão de terra batida de África, esses ritmos que não tenho e sentir que o coração se me sai pela boca por ver os olhos alheios a brilharem.
Quero ir a uma exposição em Tóquio, a um mercado de comida na China.
Quero ter uma reunião em Nova York até à qual vou de sapatilhas e na qual entro de sapato alto.
E quero voltar a Vouzela a conversar na rede pendurada na árvore. E dançar aqui em Vic. E conhecer a sensação de me perder num enorme aeroporto. E vibrar com notas de música que não conheço.
Parece que quero muito.
Descanso a avidez para dizer que quero muito, mas curto o que passa realmente por mim e que me deixa ir passando por aí.
Chega de trololó: venham as cervejas com amigos!
Tuesday, March 31, 2009
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1 comment:
ufa!
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