Aprendo a esperar...
Aprendo a deixar que o tempo passe e que o diafragma se veja mexer ao inspirar e expirar.
Sinto que o tempo não assusta tanto, afinal. Que até pode ser engraçado, se não se estiver pendente da passagem dos ponteiros a cada segundo.
Agora levo um bloco atrás, com folhas brancas, pequeno e como principal acompanhante da caixa de 24 ceras Manley que carrego na bolsa. Para tempos de espera, de impaciência ou em que me apetece ver cores a desfilar diante dos olhos.
Agora sento-me em bancos de jardim a ver brincar. Ou só a ver.
Tomo a vida como um copo de vinho (não moscatel, porque aí desgraço-me, à velocidade que aquilo vai!...). De bom vinho. A saborear os tragozinhos e a sentir os taninos e o aveludado, quando o há. A ver se é ou não redondo na boca e a sentir os aromas a carvalho, pêssego, castanheiro ou cabra do monte!...
Nem sempre há garrafas destas e às vezes também tomo os dias como água não demasiado fria em dias de muito calor: sorvendo cada trago, sôfrega, ávida e insatisfeita.
Mas estou a gostar da iniciação à vida-vinho. Dá-me mais calma e deixa-me ouvir o barulho dos gatos a lutar no quintal ou das vizinhas que saem do cabeleireiro de frente de casa...
A calma é uma coisa engraçada. E ir deixando que as coisas passem todas pouco a pouco tem a sua piada...
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1 comment:
ainda ontem perguntavam por ti e pelo teu moscatel... ai moscatel, ai ai... confirmo...
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