Monday, May 28, 2007

A Teresa lusa no Palau catalão.

No dia 22 a Teresa veio ao Palau.
Os cantos coloridos da sala prodigiosa que é o Palau de la Musica Catalana encheu-se com os acordes do violoncelo, o tom forte do contrabaixo, as cordas das guitarras, o som dos violinos, o plim do piano e a voz de água corrente da Teresa Salgueiro.
E entre todas as nacionalidades eu enchi o peito e ri sozinha, no lugar já escolhido há um mês, com o orgulho de pertencer à mesma cultura que a que estava representada de forma tão perfeita ali (muito) à frente.
Os Lusitânea Ensemble trouxeram-me notas conhecidas e a Teresa sons familiares. E de uma forma leve e capaz de encher de ainda mais luz aquela sala já de si tão perfeita, cantou em espanhol, italiano, francês, brasileiro e até com um certo sotaque cabo-verdiano. A música encantou a todos. Aquilo tudo encantou-me a mim.
E eu explicava às inglesas frenéticas que sim, aquela língua era o português. E aos senhores japoneses que sim, que ela era a mesma dos Madredeus (que eles conheciam!). E aos catalães deitava a lingua de fora, a dizer: "Vocês não têm nada assim!".
E a mim, dizia-me, como disse depois no momento de visita às estrelas despidas de palco e com copo de champagne na mão e prato com belo bife no colo, que aqueles momentos me tinham levado a Portugal, a um aconchego sonoro perfeito, a um sentido de acomodação autêntico. Como se, de repente, todos os sons fizessem sentido.
É verdade que me senti inchada por ser de Portugal. É verdade que me sentia identificada com cada canção, com cada pormenor.
E numa passagem rápida vi naqueles momentos a ligação mais-que-perfeita entre dois mundos tão identificáveis para mim; o Portugal de donde venho e a Barcelona que me acolhe. Como se naquele espaço físico os sentidos me dissessem onde estou e de donde venho. Os ouvidos levavam-me longe, o espaço situava-me ali mesmo.
A Teresa lusa no Palau catalão foi uma experiência bonita, autêntica e harmoniosa, num dia importante e cheio... De mim.

1 comment:

Anonymous said...

realmente uma pessoa fora de casa ganha uma lata que não tem habitualmente. mas quer dizer, tu tens.. hum...