Voltar sabe bem.
A distância potencia a frescura do reencontro.
E depois de um dos voos mais chatos da vida (a malta da Ryanair devia estar realmeeeente aborrecida por ter que trabalhar ontem, porque uma disposição assim até assusta!), e da viagem que separa Girona a BCN, soube bem abrir os olhos na Carrer Sardenya y ver pelas frinchas do sono a arquitectura que me continua a encantar e a luz da 1 da manhã.
E foi bom voltar a falar castellano. E foi bom sentir o ambiente, a temperatura, a atmosfera na pele.
E estar à porta de casa a procurar as chaves de Casa.
Entrar no prédio de paredes trabalhadas, sorrir com o cheiro, e subir devagarinho até ao Principal, até ficar entre as paredes brancas que me acolhem.
Ser bem-vinda à
Pata Pata home pela companheira, num papel rabiscado pendurado na porta e abrir as portas do quarto que me esperava, cheio de branco e cores por todo o lado. E sorrir sem querer e apesar do sono, porque sabe bem voltar.
Ser acolhido pelo clima que se deixou deve ser das sensações mais agradáveis para quem, como eu, faz da inquietude física (e não só) uma rotina.
E é bom acordar na minha Barcelona. Ver pela janela pouco aberta a cidade para onde vou sair, antes mesmo de me levantar.
Sair bem fresca pela manhã deserta em direcção ao emprego animador e retomar a rotina espanhola das cervejas às 3 da tarde sem almoçar.
São as banalidades, as coisas pequenas e os pormenores que me constroem a vida. Que lhe dão cor. São as vistas da manhã, o cheiro da tarde e os passos no frio que me motivam e é nisso que encontro o brilho especial que tem Barcelona de cada vez que me afasto um pouco.
E sabe bem voltar para os amigos, responder a convites de gente que sabe que se chegou e com quem se retomam os prazeres da vida quotidiana.
Caramba, que sabe mesmo bem voltar com energia e mantê-la cá dentro bem quente, para aguentar o frio mediterrânico.