Como será não ter mil facetas, mil vórtices de luz que reflectem o que vivem?
Como será acordar cada manhã a mesma pessoa?
Como será não ter mil vidros reflectores que olham para mil direcções e as perseguem a quase todas para as provar?
Como será não deixar-se encantar pelo brilho sempre e de novo?
Como será viver sem a necessidade de um brilho, de vários brilhos, de muitos brilhos, constantemente, nos segundos que dura um dia e em cada dia?
Como será não querer devorar a realidade a golfadas? E mudá-la um pouco só para ver como é?
Como será não desafiar a espontaneidade?
Como será querer ser um mais? Como será ter medo de ser ridículo e patético e inadequado?
E como será resistir a tentações que os sentidos nos põem diante? E como será não viver com os 5 sentidos e não inventar um par mais?
Como será seguir, seguir sempre a algo ou a alguém?
Como será não poder inventar os dias e as horas e os caminhos por onde se quer caminhar?
Será possível não ser miúdo de vez em quando e transformar o de vez em quando em quando-apetece?
E como será ter vergonha de ficar parado num lugar porque se sente que é bonito? E que apetece estar no meio de muitos sendo só um, ali, parado.
E como será andar tranquilo, sem querer mais?
A maior parte das vezes não é bem a minha.
1 comment:
toda a gente é mais que um.
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