Wednesday, November 18, 2009

Dançar tango com as asas penduradas na parede?

(Pormenor de um trabalho de Isaque Pinheiro, patente no Museu Soares dos Reis, no Porto)

O frenético ritmo às vezes inebria, às vezes despenteia, às vezes embala, às vezes desnorteia.

O frenético ritmo faz querer parar um pouco.
Será por isso que os passeios até casa se fazem a perder os olhos nas pessoas que passam. Nas diferentes e muitas pessoas que passam.
E também é por isso que sentar-me aqui, nesta cadeira vermelha, ao fim da tarde, sabe bem. Tão bem.

Imagino-me, nos passos que dou pela manhã, como seria fazer outros caminhos. Passar por montras de outros brinquedos, de outros sapatos, de outras comidas.
Há uma inquietude de saber que mais há no mundo que nunca me sai do corpo, por mais que repouse no meu conforto.
Há dias particulares que não posso evitar pensar no que estarão a viver em Buenos Aires. E o que está a comer quem está em Pequim. E como se esta a patinar em Estocolmo. E como se está a comprar em Amsterdam. E como se está a dançar em Àfrica. E como deve estar a ventar no norte de Portugal.

É raro livrar-me dessas inquietudes e pergunto-me se no resto dos cérebros que passam por mim pairam estas batidas de asa de minhoca....

Entretanto, vou desfrutando da quotinadeidade dos dias.

Dos dias, dos dias, dos dias, dos dias....
Dos que têm asas penduradas na parede. Asas de pegas de mala e autocolante de aviã que nos leva para todos os lados.

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