Wednesday, April 9, 2008

Uma aventura na Gare do Oriente....


Era uma vez uma Edite que viajava bastante. Lá ia ela, de mala de rodinhas na mão, mochila de computador nas costas e uma bela carteirinha de senhoreca, pendurada onde sobrasse espaço.

truc truc truc assim ia ela de aeroporto em aeroporto, de cidade em cidade em cidade, de aventura em aventura.

Na última para narrar estava em Lisboa. COn ganas de POrto, com ganas de mãe. Dois dias de trabalhom cansaço no corpo e na alma e a querer chegar aos dois dias de Porto que estavam destinados.
E é quando o corpo já está na fila para comprar o bilhete de comboio que parte em 15 minutos, que vê um senhor a pedir moeda e se lembra de que as vai necessitar para comprar bilhete.
E é quando olha para todos os lados e se vem sem qualquer coisa que faz falta: A CARTEIRA!!!!!!!! Dinheiro, cartões, identificação, telemóveis,... Tudo bem arrumadinho na mala dentro do carro que depois da bolei até à Estação seguia o seu rumo para... SALAMANCA!!!
Que fazer?... Onde ir? A quem recorrer? Como não desesperar?...
Postas as perguntas básicas na cabeça, recorri na prática a quem tem mais experiência: ao próprio jovem que pedia moedas à minha frente! Agarro-o pelos ombros e digo-lhe com cara de filme: "Percebi que acabo de deixar a carteira com tudo o que tem dentro num carro que acaba de sair a mil!" E é ver o jovem, totalmente solícito a dizer que até me deixava ligar pra alguém, mas que não tem saldo no tlm!... A ver se encontra a mulher, que pode ser que tenha!... E todo ele é ajuda e apoio, com aquelas mãos há pouco estendidas e agora a apontar para onde deveria estar a mulher e coisa e tal... Ao perceber que pouco pode fazer lá me orienta para o Gabinete de Apoio ao Cliente. E é aqui que a verdadeira aventura começa!
Entro eu, calça negra apertadinha, camisinha negra com brilhantito (tinha estado num evento de trabalho, de representação da empresa) e tacão toc-toc, pelo gabinete adentro, com a malinha a arrastar e o PC a pendurar, com a melena desmelenada e a desbobinar a situação a quatro mil à hora!... E tenho que arranjar o número deles e tenho que ligar e tenho que avisar a mãe à espera e tenho que e tenho que...............
E os trabalhadores do Gabinete, passam de estar preocupados com uma troca de hora de bilhete, para terem que dar atenção ao furacão vestido de negro, com energia a salir por todo o lado!....
Bem, 500 telefonemas depois, mil voltas e planos e propostas e ideias e faxes e soluções mais tarde, lá acalmou o ambiente: O comboio de duas horas mais tarde levar-me-ia para os braços da mamã!
Mas ficavam duas horas por preencher.... E é nesse momento que vem a pergunta: "Mas vamos lá a ver!... Agora que está tudo tratado: a menina já jantou?"
E eu, com cara de alucinada acelerada, mas morta de fome como é meu apanágio, digo que não e quase que me saem os olhos de órbita!... E é quando o director da equipa me diz: "Pois então agora vamos mas é jantar!".... E lá vamos nós, depois das minha 10 recusas com a baba a escorrer (esta estúpida discordância no meu não verbal, quando o assunto é comida!...), rumo ao Centro Vasco da Gama, jantar animadamente e conversar sobre aventuras de viajeiros despassarados como eu!...
A verdade é que, durante aquele tempo, esqueci-me do que se estava a passar e do que se tinha passado. Esqueci-me que já podia estar a jantar com a minha mãe a contar a minha vida e que em vez disso estava a comer uma sopa com desconhecidos que me pagavam o jantar e a partilhar aventuras!...
Foi um bom jantar. Foi um excelente momento. Foi uma vivência interessante e quentinha.
E depois de tudo, um café, uma olhadela ao relógio, e umas despedidas com chocolates que deixaram se ser levados aos amigos, mas que serviram de agradecimento de uma noite que passou facilmente de desaventura a aventura para não esquecer.
Essa noite de 27 de Março ficou marcada pelo inesperado, sim. Mas sobretudo pela boa surpresa de encontrar gente que passa das suas funções à ajuda no verdadeiro sentido da palavra.
E aqui fica como marco da história, já duas semanas depois, a foto que me chegou por e-mail, como resposta aos meus postalinhos de agradecimentos dirigidos à grande equipa do Gabinete de Atenção ao Cliente da Gare do Oriente....
Mais do que um simples registo aventureiro, fica a homenagem às pessoas que saíram do exclusivo das suas funções e facilitaram a vida a outro ser humano (que calha de ser eu).
O meu Obrigada!

1 comment:

Mariny said...

Uau, peigas como sou vieram-me as lágrimas aos olhos com esta tua desventura/aventura confortante.

Um aleluia para a solidariedade humana;)