Saturday, March 15, 2008

Montjuic - tempos depois...

Foi noite de jantar entre amigos, a passada. Café perto. Gargalhada e conversas cómodas. Sessão de cinema em casa, entre duas amigas de master, numa noite de pijama party. Como os tempos em que tinha 7 anos, mas com conversas com mais análise. Filme bom. Blá blá até às 5. Colchões montados no chão e janela de cortina amarela a deixar entrar a luz da rua.

Depois, manhã de Sábado. Luz. Telefonema. Fechar algo. Cerrar algo. Pousar algo.
Acabou.

Relaxe e passeio até um ponto aleatório: Montjuic, subida pela Praça de Espanha.
Degrau a degrau. Paragem para um cortado a meio caminho. Vistas sobre a cidade. Vistas sobre o passado.
Foi manhã de Sábado e só ao voltar a casa, a caminhar com os pés pesados e o resto mais leve, reparei como os caminhos físicos nos conduzem pelos caminhos físicos de outras vezes...
Foi manhã de Sábado. Fios cortados.
Foi manhã de Sábado. Ida a Montjuic.

Eu sei, escrevo para mim. Escrevo hermeticamente para me ouvir dentro da carapaça.
Quero dizer que hoje, dia em que fecho um capítulo da minha vida, volto ao sítio onde ele começou a ser fechado. Montjuic.
Não deixa de ser um sítio incrível.....
Mas eu sou uma Edite diferente....

Tuesday, March 11, 2008

Retrato de dia comum com cheiro a primavera...

Foi sair de casa e sentir aquele cheiro a quente. A sem vento. A encaixe no ar que paira.
Era assim um cheiro que faz apetecer corpo ao léu, roupa leve, cabelo solto, brincos compridos a baloiçar. E gostei por ter saído de casa de vestido, com o cabelo saltitante nas costas e os brincos a brilharem de um lado para o outro.

Fui trabalhar um pouco mais contente. Segui para o dentista um pouco mais contente.
E quando ao fim da tarde passada em casa entre trabalhos de master e detalhes de vida por resolver saio para a rua volta a sensação. Há calor e conforto, lá fora.

Chego agora da cerveja entre 2 amigas, em conversas de bar, e depois de uma apresentação fabulosa sobre uma viagem à Guatemala feita por outra conhecida, num sítio só destinado a viagens!...

Os dias pesados por dentro custam mais a passar. Mas quando ao caminhar pelas ruas do bairro onde já há muito me apetecia viver, sinto cheiro a Barcelona (existe. Não sei explicar, mas existe), vou um pouco mais levezita...

Sunday, March 9, 2008

EDITE (y Sonia)@MONTSERRAT






















A tortilha e as croquetas de jamón estavam prontas e nós também.




Imperava o desejo de sair, de chegar com a cabeça mais perto das nuvens e ser capaz de as ver de outro prisma.




E numa manhã de Sábado de sol por todo o lado, fizemos a viagem de uma hora de comboio que nos separava desta incrível montanha de pedra branca e deixamos que o Aerio, a cestinha amarela e aparentemente frágil, fizesse o resto, levando-nos montanha acima.

Entramos no mosteiro e no ar puro.

Entregamo-nos à fome num pic-nic robusto, com o chão de pedra por baixo e o sol quente na cara, vindo de cima.
Caminhamos por entre flocos de ar respirável e detivemo-nos diante de paisagens de tirar respiração.
Estivemos por nós, longe do turbilhão da cidade. Com o verde, o azul e o branco à volta, acima e abaixo.
Num dia de respirar fundo e partilhar chocolate.
Entre amigas que se encontram à semana no master mas que desta vez não analizaram grupos nem leram livros. Respiraram, conversaram, comeram e riram. Em Montserrat....
E de volta à cidade, numa teteria perdida no velho Call, partilhámos um chá Chai. Quente, com leite e gengibre, que nos apoiou o cansaço e nos fez voltar, apesar de tudo, mais descansadas a casa....

Wednesday, March 5, 2008

Nem o Wim Mertens no Palau...


...sossegou a inquietude, o desprazer, a angustia.
Mas ele tentou, isso tentou. Foi bom a valer e deu um concerto do qual só mesmo uma morta por dentro temporariamente pode não sair a vibrar.

Intimidades...

Às vezes pergunto-me porque me permito abrir as coisas da minha vida num blog deste tipo. Em que estou identificada, em que escrevo para mim mas em que sei que amigos (e quem sabe algum desconhecido que venha aqui parar por acaso....)me lêm...
Porquê, perguntava-me eu hoje de manhã? E a resposta veio em forma de imagens. As imagens do vivido. As fortes imagens dadas por todos os sentidos que me chegam com cada experiência e que fazem dela o forte que é para a querer transpôr à partilha.
E percebo que realmente o poder das palavras é muito mas nunca chega a por a nu o que é vivido. Nunca permite devassar o intenso que são as vivências.
E sinto que por mais que conte cada detalhe, não se abre o mundo que lhes deu origem. Esse mantém-se na essência do sentido e imperturbável na sua dimensão especial.
Assim, posso contar uma noite de romance sem devassar a sua magia, da mesma forma que um passeio pelo sol em frente à praia sem conseguir passar a intensidade de tudo que sinto, que me envolve. Porque por mais palavras que lhe ponha, por mais pormenores que seja capaz de descrever, sinto que um mundo extra que não perde a graça pela exposição.
Assim, vou contando de mim neste espaço.
Um espaço em que não cabe tudo o que me apetece rir nem todos os nós de estômago que sinta.

Vou seguindo e partilhando o partilhável, sem o tornar exposto, só observável......

Ps- ainda bem que os sentimentos não cabem aqui todos, se não, neste momento caía o meu buraco de alma em cima de algum teclado e ainda fazia estragos sério!.... :)
Vai passar, vai passar, pronto, pronto....

Monday, March 3, 2008

Hoje descobri...

Hoje foi um dia importante.

Foi o dia em que terminou o romance com o David-de-olhos-verdes. Para sempre. O romance que me trazia em pontas dos pés há meses. Que me fazia sonhar e dançar na rua e sentir o frio nos dentes frágeis por gargalhar sem poder controlar. O romance com o companheiro de viagens pragmático, o observador presente, o bem humorado louco com quem partilhava (ou a quem lia, melhor dizendo) as "El Jueves", o David-de-olhos verdes. O que me fazia sentir bailarina de colores e me abraçava a fragilidade da mesma forma que os braços ou as costas.



Foi também o dia em que um elogio de trabalho me chegou dirigido à Doce Edite. E o dia em que a minha querida sócia me faz dar conta de que não primo só pelo muro de solidez que aparento, mas sim também pela possibilidade de chegar aos outros de forma "doce"... Mais completa, mais em mim. Uma Edite que nem sabia que estava... Mas que pelos vistos está.



Foi o dia em que chorei ao telefone num intervalo do master, com a minha irmã-metade a dizer-me que tenho razão pra chorar.



Foi o dia em que o grupo do master me viu chorar, margi de todos e de tudo e se preocupou a sério mas se deve ter surpreendido por perceber que eu tenho lágrimas como o Nenuco. E me mandaram chorar abrindo a boca e não fazendo pressão para a fechar e me conter (pronto, truques de psicólogas analistas de grupos!:)



Foi o dia que começou com um desfile de bombos e gaitas pra comemorar um santo que não lembra ao diabo (e só aos catalães se lhes ocurriria celebrar o dia de um santo com bombos, gaitas e atirar rebuçados por todo o lado!!), mesmo a passar em frente à varanda do meu quarto.



Foi o dia em que decidi abrir as portas ao que sentia e fazer o que sentia, sem disfarçar. E não atenuar, nem nada.



Foi o dia em que a minha vida construída durante 10 anos, 3 deles de forma especial e particular, se fechou por fim. E o dia em pela primeira vez algo parece mais civilizado e com alguma cor em todo esse bloco.



Hoje foi o dia em que fiz repetir uma música que gosto por sentir que é a única capaz de fazer-me sentir como quero sentir, como sinto que tenho que sentir.



E hoje estou triste, com noção das coisas boas e tranquila. Tudo na mesma proporção. (Bem, talvez um pouco mais triste do que o resto... Ou isso ou o triste é grande e parece que ocupa muito espaço!!!)



Digo adeus ao David, ao "namorado catalão de olhos verdes", como lhe chama a prima pequenina. Isso aborrece-me, lixa-me, põe-me lixada da vida!



Mas sorte que há tranquilidade no ar! E mais quê? E mais abertura.

Abertura para receber mimos e festinhas virtuais na cabeça, e cuchi-cuchis de todos os lados.

E logo fazer uma festa por se estar vivo e de saúde, que afinal afinal afinal é o que interessa na vidola!



Pois siga o Pessolet, que ainda virá guisado pela frente! :)

(chuif!...)



Hoje descobri que as coisas doem.

Hoje descobri que as coisas más também passam.

Hoje descobri-me mais eu.

Pessolet

Pessolet - Pequena ervilha, em catalão.
Eu.
Yo.
Jo.