Hoje foi um dia importante.
Foi o dia em que terminou o romance com o David-de-olhos-verdes. Para sempre. O romance que me trazia em pontas dos pés há meses. Que me fazia sonhar e dançar na rua e sentir o frio nos dentes frágeis por gargalhar sem poder controlar. O romance com o companheiro de viagens pragmático, o observador presente, o bem humorado louco com quem partilhava (ou a quem lia, melhor dizendo) as "El Jueves", o David-de-olhos verdes. O que me fazia sentir bailarina de colores e me abraçava a fragilidade da mesma forma que os braços ou as costas.
Foi também o dia em que um elogio de trabalho me chegou dirigido
à Doce Edite. E o dia em que a minha querida sócia me faz dar conta de que não primo só pelo muro de solidez que aparento, mas sim também pela possibilidade de chegar aos outros de forma "doce"... Mais completa, mais em mim. Uma Edite que nem sabia que estava... Mas que pelos vistos está.
Foi o dia em que chorei ao telefone num intervalo do master, com a minha irmã-metade a dizer-me que tenho razão pra chorar.
Foi o dia em que o grupo do master me viu chorar,
margi de todos e de tudo e se preocupou a sério mas se deve ter surpreendido por perceber que eu tenho lágrimas como o Nenuco. E me mandaram chorar abrindo a boca e não fazendo pressão para a fechar e me conter (pronto, truques de psicólogas analistas de grupos!:)
Foi o dia que começou com um desfile de bombos e gaitas pra comemorar um santo que não lembra ao diabo (e só aos catalães se lhes ocurriria celebrar o dia de um santo com bombos, gaitas e atirar rebuçados por todo o lado!!), mesmo a passar em frente à varanda do meu quarto.
Foi o dia em que decidi abrir as portas ao que sentia e fazer o que sentia, sem disfarçar. E não atenuar, nem nada.
Foi o dia em que a minha vida construída durante 10 anos, 3 deles de forma especial e particular, se fechou por fim. E o dia em pela primeira vez algo parece mais civilizado e com alguma cor em todo esse bloco.
Hoje foi o dia em que fiz repetir uma música que gosto por sentir que é a única capaz de fazer-me sentir como quero sentir, como sinto que tenho que sentir.
E hoje estou triste, com noção das coisas boas e tranquila. Tudo na mesma proporção. (Bem, talvez um pouco mais triste do que o resto... Ou isso ou o triste é grande e parece que ocupa muito espaço!!!)
Digo adeus ao David, ao "namorado catalão de olhos verdes", como lhe chama a prima pequenina. Isso aborrece-me, lixa-me, põe-me lixada da vida!
Mas sorte que há tranquilidade no ar! E mais quê? E mais abertura.
Abertura para receber mimos e festinhas virtuais na cabeça, e cuchi-cuchis de todos os lados.
E logo fazer uma festa por se estar vivo e de saúde, que afinal afinal afinal é o que interessa na vidola!
Pois siga o Pessolet, que ainda virá guisado pela frente! :)
(chuif!...)
Hoje descobri que as coisas doem.
Hoje descobri que as coisas más também passam.
Hoje descobri-me mais eu.