Sunday, October 26, 2008

Bailarina....

Já fui patinadora, dançarina de jazz, voz off de ballett, pulga eléctrica e até "bailarina de colores".
Mas nunca como agora me tinha sentido tão dentro desta coisa que sempre me encantou tanto.
Agora danço.
Há uns meses que este mundo me faz mais e mais e mais sentido e que me vou deixando entrar mais e mais e mais...
Ganhou dentro de mim um lugar: o de mulher que dança.
O TCI foi abrindo, o Contact desabrochando , os novos amigos dentro desta área espevitando e pouco a pouco o desafio de workshops mais específicos foram aceites. Comecei com Improvisação e Composição, segui para dança contemporânea técnica.
E agora tenho dentro de mim três ritmos presentes, que descubro e redescubro a cada vez que soa a música.
Assim, às segundas feiras ando 25 minutos de comboio e entro nos ritmos da Dança Africana, levados pela guerreira Verónica de energia contagiante. 1,5 horas de libertação de energia em que todos os membros são chamados e em que a anca se move até mais não poder e os pés levitam.
Outro dos ritmos vem-me da dança folk, que encontro nas visitas à amiga Esther,
com quem percorro pequenas vilas em busca da melhor música e com as pessoas mais "cálidas" e abertas. São passos fixos, que tento acompanhar ao som da alegria que me trazem. E sussurro "Mazur-ka" ou um-doi-um-dois-um para seguir os bailes a par. A energia da gente que dança toda contagiou-me e os olhos brilhantes da Esther fizeram o resto até eu saber dançar a polka.
E agora é sempre a procurar as danças de roda que me giram e giram e giram, por Barcelona e arredores.
E depois há o meu Contact de sempre. Esta dança que me hipnotiza, me faz sair de casa a chover ou a meio de um bom descanso. Me faz atravessar a cidade ou procurar novas salas onde um grupo de novos e velhos conhecidos se reune e partilha esta paixão.Às vezes há jazz ao vivo e o corpo desliza ao som do sax ou da bateria. Outras vezes é a improvisação da gente que leva o seu fazedor de música e nos conduz. Às vezes o silêncio e às vezes a música experimental. Soam vários sons fora, quando o de dentro é o do corpo.
Dançar Contact faz-me sentir mais completa, solta, leve e harmónica.
Sai de mim a alma de bailarina e deixo-me deslizar por essas duas ou três horas de cada jam session, onde se encontram os corpos de bailarinos mais ou menos sabidos.
Gosto de sentir que os meus sonhos se cumprem. Que os desejos se realizam. E que o céu é mesmo o limite dos desejos, das vontades.
Queria ser bailarina. E sou bailarina, porque amo a dança e ainda que não saiba nada de nada, me sinto com asas nos pés de cada vez que vou às aulas de dança africana, de cada vez que me junto com um grupo para dançar música folk ou em cada jam de Contact a que vou.
Cada momento é mágico e faz-me acreditar que sou o que quero.
Hoje à noite vai dormir a bailarina. Amanhã acordará a psicóloga-bailarina. E durante a semana fica mais a psicóloga ao serviço. mas há um espaço bonito para cada uma delas.
Tudo faz parte e me completa e me faz feliz.

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